CAFÉ COM POESIA (E ARTE) – JUN/2011
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria
Fazia frio nesse sábado e nossa platéia era pequena, o auditório imeeeenso, o que lamentei pela importância do que iria ser apresentado.
Iniciamos convidando a jornalista e editora do Jornal MULIER, Alessandra Muniz Gomes, para falar do jornal e nos contar um pouco de sua história.
Aqui está Alessandra nos apresentando este belísismo trabalho:
E assim ela define o MULIER:
“Um jornal que trata da mulher, mas sem ser um feminismo refratário, radical, e publica assuntos muito interessantes sobre este segmento da sociedade, que precisa ser melhor conhecido por todos, para que possa haver mudanças nas relações ainda tão desiguais entre mulheres e homens ….”
Para os que ficaram curiosos com o nome do jornal, esclarecemos que MULIER é uma palavra latina que significa MULHER.
Simpática e comunicativa, Alessandra conquistou o Grupo, e ainda nos presenteou com vários fascículos do Jornal que distribuimos entre os presentes no final do encontro.
Depois falamos sobre o pedido de Beatriz Theodes, pedagoga do Centro Socioeducacional de Juiz de Fora, entidade voltada para o atendimento de adolescentes aos quais se aplica medida socioeducativa de internação em consonância com as determinações do Estatuto das Criança e do Adolescente. O Centro quer montar uma biblioteca e nos pede a doação de livros. Já recolhemso alguns e pretendemos entregar os livros a Beatriz no próximo encontro.
Passamos então, para o tema central deste encontro, O PERFIL DE GLÓRIA BARROSO.
Glória é integrante do Grupo desde seu início. É pintora, escultora, poeta, ilustradora,
performancista, xilogravurista. Além de artista versátil, é um ser humano encantador, com um trabalho surpreendente que emociona pelo talento e sensibilidade demonstrados.
Premiada em diversas exposições e concursos, ela nos apresentou sua produção e nos deliciou com sua trajetória. Vejam:
O artista se angustia em frete à tela
tudo que traça no branco se esvai
em outra ausência que também revela
uma pintura antes da tela, atrás.
Marcus Vinicius Quiroga
Glória começou falando para nós sobre sua série de retratos e aqui estou postando alguns para que vocês tenham idéia de como ela é boa retratista:
(retrato de Jovelino, jardineiro de sua casa)
E ela foi entremeando as imagens com alguns de seus poemas, vejam:
RÉQUIEN PARA JOVELINO
Nos degraus da capelinha de São Pedro
de olhos nos astros
velando seu corpo
me lembro de Irene, a do Manoel
chegando ao céu
não precisou pedir licença.
-Vai entrando de manso
cumprimentando os santos de chapéu na mão.
São Pedro aguarda
de porta já aberta
tomar seu lugar na festa do céu.
“Vais cantar tuas modas
recitar tuas trovas
dançar o fungangá?
Sacar teus ditados
embolorados
mas justos na situação?
a moça encontrada
tão desejada
te dará sua mão?
Oh Jovelino, ficou o violão
o rádio de pilha o guarda-chuva
e também a lembrança
bem funda suave
no meu coração…….
Oh Jovelino, encontraste enfim tua morada
com os mansos
os simples de coração.”
Abaixo, mais retratos:
Todos eles têm nome, idade e história que só Glória sabe contar. Alguns foram encomendados, outros pintados expontaneamente por ela.
Depois vimos seus interiores:
A seguir mostrou-nos seus quintais:
Um poema:
MEU QUINTAL
A mangueira não se contenta
com as folhas compridas
grandes e certas vírgulas verdes, aros de luz, pausas de sombras,
na paz frondosa das manhãs e tardes.
Quer espirais sarabanda de verdes
força virilidade feminilidade e seiva
frutos carnudos sensuais
cores quentes adocicadas
caldo escorrendo amarelo de lábios vermelhos.
Tronco grosso escuro
razões-raízes profundas que sugam o mistério da Terra
A vida tá como quer
deu o braço à luz e passeia arrastando
invisíveis saias no meu quintal
descalça pisando gravetos de sol
espremendo barro e galho entre os dedos
se entrelaçando em laranjas ocres e musgos
cheiros e gostos
coroada de borboletas
dan ri
ça nos
re ta lhos coloridos,
perfumada de lírios da paz,
tropeçando em viçosas pedras,
na paisagem que se complica em cores
Uns descobrem a América
outros a gaveta ou o quintal
As naturezas mortas:
Mais um poema:
COTIADIANO
O pão não é só o pão:
a casca que quebra,
se dissolve na língua,
prazer.
É saudade.
O leite não é só o leite:
É o capim que recende
o sol que se acende
na manhã de abril.
Orvalho que brilha
transformado em estrela
no verde da folha
que treme
que pende
sob a doce pressão.
É o peso da vaca
mugido ao longe
a tristeza do som
que se derrama na tarde
Mansidão
Outro poema:
NA VÉSPERA
Manhã de inverno.
Nublada e áspera.
Na corrente d’água fria
lavo as vasilhas da véspera
água-pedra agulha minhas mãos.
Lavo o prato onde a pera estivera;
a pera se manchava em marrons
no ritmo do tempo q a diluía
Na antevéspera
a espera q se cumprisse
o seu formato-pêra
seu verde-pera
seu cheiro-pera
seu gosto-pera
Formato e verde se transformavam:
amarelos marrons
liquefeitos
Na véspera era a pera
VÉS PERA
O nome madruga o ato
enche o prato
de cinzazulado
na ausência da pera.
Suas xilogravuras
Alguns quadros abstratos
Imagens da igreja que pintou em Manaus:
Nesta igreja, Glória Barroso fez um lindo trabalho de internalização da natureza e dos habitantes da região ao seu trabalho de pintura.
Vejam agora duas de suas performances:

( Glória de noiva no teatro. Ela segura uma boneca criada por ela mesma para compor o figurino)

( Na performance de andarilha)
E mais, muito mais:
Suas esculturas:
Glória fechou sua palestra com o seguinte pensamento de Quiroga:
Ou seria uma pintura inquieta
que se visse como se ouvisse
música
e o pintor fosse a tela o poeta
que somente assina a obra,
se inconclusa?
Marcus Vinícius Quiroga
Aqui, Samanta nos ajudando com os slides:
E NÓS OFERECEMOS FLORES PARA GLÓRIA. FLORES SURREAIS PODEM CONFERIR:
ACHO QUE ELA GOSTOU! NÓS, MAIS AINDA.
GLÓRIA BARROSO É UMA ARTISTA COMPLETA. ESTA MULHER É FERA!!!!!!!
9 Responses to “CAFÉ COM POESIA (E ARTE)- JUN/2011”
Jorge Luiz Alves Says:
June 23rd, 2011 at 05:28 edit
Simplesmente admirável! Adorei cada etapa do que foi mostrado – e também lamentei muito não ter comparecido. Mas não faltarão oportunidades para interagir com a (nossa) querida Glória. Oh, glória! Belíssimo! Beijo do Jorge.
Helena Says:
June 23rd, 2011 at 13:11 edit
Milhões de aplausos! A você e a essas mulheres maravilhosas que fazem Arte e Vida!
Me deliciei com essa postagem, em cada momento. Belíssimos os trabalhos de Glória! E os poemas… Fascinantes!
Já disse que cada vez que venho espiar esse Café com Poesia e Arte morro de vontade de estar aí também? rs
Beijo grande e meu carinho sempre!
eliana mora Says:
June 23rd, 2011 at 19:56 edit
UMA TARDE PLENA DE GLÓRIA- EM CADA OBRA, O DESVENDAR DE SEU MUNDO PARA NÓS. BELÍSSIMOS, ARTE E POESIA. muitos parabéns.
Beijos e abraços da
Eliana
Ana Miranda Says:
June 23rd, 2011 at 21:54 edit
A Glória, realmente, é uma glória!!!
Rever seu belíssimo trabalho aqui, foi lindo, mas, devo ressaltar que, no telão, foi inigualável!!!
Parabéns a Glória por ser essa artista ímpar!!!
Parabéns também a você, Maria Helena, que organizou transportou à tela tudo o que vimos!!!
Ana Másala Says:
June 23rd, 2011 at 22:16 edit
Fiquei tão comovida que não consegui dizer à Glória o que eu pensava e… acho que nunca conseguirei dizer a mim mesma tanta beleza!
Beijos, a vocês duas.
Ana
Lidiane Says:
June 25th, 2011 at 13:42 edit
Que coisa mais querida poder participar de algo assim. Isto é conhecimento puro, vindo de fonte genuína, coisa rara de se ver. Parabéns a este belo grupo!
ELLEN Says:
June 28th, 2011 at 06:46 edit
Adorei!!! arte, poesia, tudo de bom…ótimas fotos…
Vera Ribeiro Guedes Says:
July 5th, 2011 at 00:06 edit
Pena não ter estado lá! Mas, deu para conferir o grande talento de nossa querida amiga. Beijos para ela !!!!
Alessandra Espínola Says:
July 11th, 2011 at 15:49 edit
Que mulher completa! Inacreditável de tão real que é, que trabalhos maravilhosos, que obra linda, que arte, que vida! Obrigada M. Helena por não nos deixar de fora e apresentar pras pessoas essas preciosidades, a gente pensa, é bom estar viva. Bj grande!
ENCONTRO DE MAIO DE 2001
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria
O encontro de maio do Grupo CAFÉ COM POESIA (E ARTE), aconteceu no dia 14, no auditório do Museu de Arte Murilo Mendes.
Foi uma reunião de caráter muito particular e muito prazerosa. Teve como tema principal a tarde de autógrafos de REGINA MACHADO,
integrante do Grupo, em referência ao lançamento de seu livro EM TEMPO DE SENTIMENTO.
Na foto abaixo, vemos Regina Machado antes de iniciarmos a reunião.
REGINA MACHADO é mineira mas ainda criança mudou-se para o Rio de Janeiro onde cursou o primeiro grau no Instituto La Fayette e o segundo, no Colégio Andrews. É formada em Pedagogia e especialista em psicopedagia da adolescência. Participou da Oficina de Leitura e Escrita do Centro Cultural Banco do Brasil e frequentou o curso de extensão sobre história da Arte e Barroco Mineiro na UFJF. Recebeu o primeiro prêmio neste curso com um texto sobre o problema agrário no Brasil e a obra Retirantes de Portinari.
Mora em Juiz de Fora e tem 4 filhos. Cursa literatura no CRIARTE de Márcia Carrano e é integrante do nosso grupo.
Aqui Regina Machado recebendo o abraço de uma de suas netas.
Em TEMPO DE SENTIMENTO é seu livro de estréia e esperamos que seja o primeiro de muitos. Neste livro Regina reuniu ficção e memória de uma forma muito interessante que parece querer nos dizer: ” você nunca deixará de se maravilhar com o estranho nascimento das histórias”.
Acima estou fazendo a abertura da reunião e convidando Regina Machado e a escritora Marisa Timponi para tomarem seus lugares à mesa.
A escritora Marisa Timponi saudou Regina com muita propriedade e desenvoltura lendo para os presentes o texto que se encontra na p. 13 do EM TEMPO DE SENTIMENTO. O texto tem o seguinte título: COMO GOSTARIA DE ESCREVER
Aqui um pedacinho do texto:
“Gostaria de escrever vendo as pessoas pelo avesso, descobrindo o que têm de essencial. Com sensibilidade, transportá-las para a folha de papel.
Entre o espaço silencioso das palavras, vislumbrar o não palpável, o não direto, mas o real sentimento que toca bem dentro de cada um. Nesse silêncio que flui entre as palavras, não existe um espaço vazio e sim um fio tênue que as une, completando o pensamento de uma palavra a outra e seguindo o caminho da coerência.”
Acima vejam Regina falando sobre esta nova experiência e a história de seu livro, do apoio que recebeu da família, da grande identidade com seu pai.
Em nome do Grupo, Ana Miranda lhe ofertou algumas flores:
Abaixo Regina autografando:
Algumas fotos do encontro:
Acima a escritora Leila Barbosa com Eloir Dutra.
Depois na atmosfera festiva do MEZCLA, estou com a escritora Leila Barbosa e o poeta José Augusto Ribeiro da Fonseca. Durante o encontro falamos sobre seu livro ESTILHAÇOS lançado recentemente em Juiz de Fora.
Abaixo integrantes do Grupo : Lázara Papandrea; Ana Miranda; Glória Barroso e Samantha Cruz.
E ainda nestas lindas fotos com Leila e a escritora Vera Ribeiro Guedes e depois com Samantha.
O primeiro encontro de 2011
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria
(Na foto o escritor carioca Jorge da Silva Alves, José Renato e a poeta Ana Másala com outros integrantes do Grupo)
As saudades eram muitas… e ousamos dizer isto neste mundo quase sem afetividade, neste que é o primeiro encontro do ano do Grupo Café com Poesia ( e Arte) em seu terceiro ano de existência.
Reunimo-nos novamente no MAMM – Museu de Arte Murilo Mendes, este espaço privilegiado, de paredes impregnadas de Murilo Mendes e todos os poetas e artistas de sua convivência.
Podemos então, nós que amamos a literatura e a arte, nos sentirmos muito em casa, muito descontraídos para desfrutarmos bem deste momento.
Não pude deixar de agradecer ao professor José Alberto Pinho Neves, pró-reitor de cultura da UFJF e ao Beto Campos, produtor cultural do MAMM pelo apoio recebido.
A idéia de criar o Grupo nasceu no primeiro café que tomei com a poeta Ana Másala no Planet Music. Nós que já nos conhecíamos há 3 anos no Recanto das letras, portanto na Internet, resolvemos nos conhecer pessoalmente. O encontro foi marcante porque resultou no poema de minha autoria chamado Café com Poesia. Vejam:
[Para Ana Másala]
Colocava na mesa
Palavras macias
Redondas
Inteiras
Como num jogo
De três marias.
A vida era simples,
Completa
E boa,
Pelo menos
Naquela hora.
O café na xícara
O sorriso na boca,
Ora alegre,
Ora triste…
De vez em quando
Mexia o café
Com uma colher de poesia.
Então,
Roubava do tempo
O contorno das horas
E viajava no vento
Pelos trigais.
No encontro de hoje nos propusemos a homeangear o escritor José Saramago
e isto foi feito pela jornalista e poeta Eliana Mora, que o conheceu pessoalmente e vai trazê-lo agora para mais perto de nós.
(Eu e Eliana Mora)
Na cronologia de vida do escritor, Eliana inseriu muita coisa interessante, vejam:
José Saramago, filho dos camponeses José de Souza e Maria da Piedade, nasce em 1922 na aldeia da Azinhaga, província do Ribatejo, Golegã, Portugal. Faz seus estudos secundários que, por dificuldades econômicas, não prossegue. Mas é bom que se diga: procura o Saber nas bibliotecas, e tem até sua preferida: a Biblioteca Municipal do Palácio das Galveias, em Campo Pequeno. E assim desenvolve seu potencial ‘para além da formação escolar’.
Seu primeiro emprego é o de serralheiro mecânico; exerce diversas outras profissões: desenhista, funcionário de saúde e previdência social; editor, tradutor, jornalista.
Em 1944 casa-se com Ilda Reis, com quem tem a única filha, Violante, nascida em 1947.
Publica o seu primeiro livro, um romance – “A terra do pecado” – também em 1947. Diz serem claras neste livro as influências que teve de Eça de Queiroz e de Fernando Pessoa. Em 1966, publica seu primeiro livro de poesia, “Os Poemas Possíveis”.
Seus ideais comunistas e seus posicionamentos políticos o fazem pertencer a partidos de esquerda. Em 1969 torna-se membro do Partido Comunista Português [PCP]. Milita durante longo tempo na vida pública partidária, despedindo-se dela somente em 1990.
Entre 1972 e 1973 faz parte da redação do jornal “Diário de Lisboa”; colabora na revista “Vértice”, e ainda na “Seara Nova”, onde atua como crítico literário. Edita o seu primeiro volume de crónicas políticas em 1974.
Faz parte da primeira direção da Associação Portuguesa de Escritores, e no período de 1985 a 1994, é presidente da Assembléia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores. Entre Abril e Novembro de 1975 torna-se diretor-adjunto do jornal “Diário de Notícias”. A partir de 1976 passa a viver exclusivamente do seu trabalho literário: primeiro como tradutor, depois como autor.
Casa-se em outubro de 1988 com a jornalista espanhola Pilar Del Rio, que conheceu em 1986
( filme)
( vou pedir a Cris para inserir)
É nomeado Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Turim (Itália), de Sevilha (Espanha) e de Manchester (Reino Unido); membro Honoris Causa do Conselho do Instituto de Filosofia do Direito e de Estudos Histórico-Políticos da Universidade de Pisa (Itália); membro da Academia Universal das Culturas (Paris); membro correspondente da Academia Argentina das Letras; membro do Parlamento Internacional de Escritores (Estrasburgo, França).
Recebe o prêmio Internacional Literário Mondello (Palermo), 1992 (Conjunto da Obra). E o Prêmio Literário Brancatti (Zafferana/Sicília), 1992 (Conjunto da obra). O Prêmio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE), vem em 1993.
É também em 1993 que se transfere com Pilar para a ilha Canária de Lanzarotte, na Espanha.
Ganha o prêmio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), em 1995. Suas obras já então publicadas em diversos países.
Em 1996 viaja ao Brasil para receber o Prêmio Camões, instituído pelos governos do Brasil e de Portugal em 1988. [o anterior fora ganho pelo escritor brasileiro Jorge Amado].
É laureado com o Prêmio Nobel da Literatura de 1998 pela Nobel Foundation. Primeiro autor de língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura, Saramago foi considerado, pelo crítico Harold Bloom, como “o escritor de romances mais dotado de talento dos que seguem com vida, um dos últimos titãs de um gênero em vias de extinção”.
Seu romance “Memorial do Convento” é adaptado para ópera pelo compositor italiano Azio Corghi, com o título “Blimunda”.
A peça de teatro “In Nomine Dei” é adaptada para ópera por Azio Corghi, com o título “Divara”.
É criada a Fundação José Saramago, em junho de 2007.
É lançada em 2008 a versão cinematográfica do romance “Ensaio sobre a Cegueira”, do diretor brasileiro Fernando Meirelles.
O “comunista hormonal” – repetindo as próprias palavras de José Saramago –, morre em 18 de junho de 2010, aos 87 anos.
Além de tudo isto, Eliana nos brindou com algo inusitado e do conhecimento de poucos, a exibição de uma animação realizada na Espanha sobre o conto infantil de José Saramago – A MAIOR FLOR DO MUNDO.
Não consegui inserir este filme, porque ultrapassa a capacidade do site.
Prosseguindo, convidei as escritoras Marisa Timponi e Leila Barbosa para uma apresentação sobre o escritor homenageado.
O Conto da Ilha Desconhecida ( fragmento)
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A seguir Lázara Papandrea nos brindou com um texto do escritor sobre o sorriso:
[ Lázara ainda na platéia com a filha e as amigas]
" Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o acto de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contracção muscular da boca e dos olhos. O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no acto de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exactamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem. Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso. O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso". José Saramago ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ O poeta Jorge Luiz da Silva Alves trouxe do Rio um texto que ele escrevera à noite para o nosso encontro e que só nos apresentou no MEZCLA, preocupado com o avançado da hora, mas que faço questão de resgatá-lo aqui. O saboroso veneno de um genial escorpião Jorge Luiz da Silva AlvesAinda rezavam os portugueses na Cova da Iria, aguardando um outro sinal da Virgem, em dezesseis de novembro de vinte e dois: como o Mestre Maior escreve certo por linhas tortas, Ele caprichou na encomenda – e, em Azinhaga, concelho (com 'c') de Golegã, veio Saramago... e nunca mais uma só alma pia da sociedade lusa em todos os quadrantes da Terra teve um segundo de sossego. E se Deus é a Verdade, doa a quem doer, esta veio na dura carapaça do humilíssimo serralheiro mecânico que, à noitinha, aproveitava o tempo que a madrugada lho outorgava para cuidar de seu genuíno amor: o que sentia pelas palavras. Eram tempos difíceis, mas estas sempre lhe facilitaram o convívio com a gente chã dum Portugal que ainda patinava no medievalismo campônio-católico do início do século passado. E, se Portugal inteira aguardava, após duas sangrentas guerras e durante o pulso firme dum Salazar inflexível, o conforto das doces palavras de Maria, o que veio, no silêncio dum mourejante anonimato no serviço público, foi um romance de título bastante significativo, “Terra do Pecado” (1947). E até este parágrafo – curiosamente – a existência de Saramago veio sempre flanqueada às questões religiosas e existenciais do povo luso, cujo sofrimento e tenacidade era aplacado ou amenizado com rosários e confissões à socapa nos templos... enquanto o seu próprio era agravado por não poder dar mais asas à imaginação devido à crônica dificuldade financeira, quando chegou aos anos cinquenta precisando completar o orçamento como tradutor de gênios da literatura européia... Talvez por conta de tantos obstáculos, resolvera abrandar seu périplo por africana sina literária ('Clarabóia' fora rejeitado cruelmente, a ponto de ainda não estrear no mercado) e enveredou pelo sonoro e balsâmico caminho da poesia. Destilando seu talento por cada edição discretamente lançada, fora vitimado pelos cravos duma revolução que até hoje, em Portugal, suscita controvérsias e debates. Bom ou mal, Saramago definiu ali seu modus vivandi, e optou por dedicar-se integralmente à literatura. E a partir de então, o veneno do escorpião adquiriu o saboroso azedume, feito paladar de espírito – coisa que algumas potestades jamais engoliram bem. “Memorial do Convento”(1980), metafórico e instigante, revelou definitivamente que a farsa filosófico-social em que a Igreja mergulhara seu país durante quase um milênio desnudara-se por completo; no “Evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991), Saramago procura liberar o Cordeiro de seu próprio Holocausto em nome duma Humanidade que lhe pervertera os reais ensinamentos; ”A Jangada de Pedra” é uma cutucada esperta num lusitanismo defunto face à vivacidade política hispânica, que acabou por sedimentar as bases dum raciocínio panibérico, causa de muitas razias contra sua posição. Mas é no “Ensaio Sobre a Cegueira” que o escorpião é fatal, terminal: como este pequeno monstro que devora suas crias e semelhantes para sobreviver a todo custo, a cidade, cega pelo vazio de seus valores, cai num estágio de barbárie e posterior selvageria, dizima implacavelmente todos os seus feitos e conquistas sob o testemunho impotente duma única pessoa de visão sadia. E mais uma vez, as baterias são assestadas contra a Igreja – durante milênios, a única portadora da “visão” de milhões de almas confusas e analfabetas...entre outros significados. Mas nem mesmo o Vaticano, ou Telavive (ele, acusado enganosamente de antisemitismo) foram tão rápidos em seus flagelos: arrastara suas fabulosas peçonhas para a inóspita Lanzarote, pois já estava farto de suas cruzadas contra a hipocrisia humana. E foi o solo vulcânico e agreste daquele ilhéu das Canárias que recebera a maior de todas as honras da cultura lusa, o último suspiro do único Prêmio Nobel de Literatura da língua de Camões. Continuam os portugueses a correr para Fátima: em busca da intervenção divina para seus males, aguardam, ansiosos, um sinal dos Céus para que sua nação emerja da inércia. Mas o Senhor é sábio em seus desígnios, mesmo os incompreensíveis para nós, pobres de alma e cultura, ao responder-nos, em tsunâmico tonitruar: “ Mandei-vos Saramago. Por quê o rejeitastes, prole de Caim?!” www.jorgeluiz.prosaeverso.net ^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^ A poeta Ana Másala apresentou parte de uma entrevista de Pilar Del Rio ( mulher de Saramago) sobre o escritor. Muito comovente. Que amor bonito! Confiram: http://ww1.rtp.pt/antena1/index.php?t=Entrevista-a-Pilar-del-Rio.rtp&article =3314&visual=11&tm=16&headline=13 Encerramos a homenagem com a exibição de alguns pensamentos do escritor. Para ver cliquem sobre o Saramago abaixo. Saramago ^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^ Ainda neste encontro tivemos a apresentação de textos pessoais de quatro integrantes do Grupo: Angela Nabuco, Regina Barbosa, Glória Barroso e Vera Ribeiro Guedes. Vejam: Angela Nabuco
experimenta pegar todas as tuas lembranças as mais caras, que te põem no colo ou envaidecem as mais tolas ou ridículas aquelas que te causaram extrema dor teu nome e sobrenome e tudo o mais de que és feito até o dia de hoje fazer um embrulho caprichado amarrado em fita de cetim e em dádiva a qualquer coisa que acredites jogá-lo ao mar de preferência em alto mar no escuro de uma noite em que a tempestade fizer dele um gigante furioso nele respirar o cheiro da morte e quase náufrago chorar a dor da grande perda do que pensavas ser ou julgavas ter ao amanhecer, e só então numa leveza de novidade serás vivo e livre para celebrar quem realmente és [angela nabuco] ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Regina Barbosa
{Regina Barbosa com Cecy Campos] estou aguardando o texto para publicar ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Glória Barroso
[ Gloria Barroso ladeada pelo Professor Tiago e uma amiga] O Moço de Penedono A Miguel Torga (depois da leitura de O senhor Ventura) Que ilhas que mares mistérios desvelados(?) Velas grávidas caravelas aventuras vive o Ventura o moço de Penedono. Quantos verdes nos seus olhos quantos azuis nos seus sonhos que doce balanço do mar quanta dança nas suas ondas quantas moças lhe sorriem quantos braços quantas ramas quantos leques das palmeiras quantas línguas estrangeiras! Que crepúsculos Que horizontes se sucedem cambiantes... Fechado na sua sala cumprindo apontamentos cisma o alferes que fere com sua pena o papel indiferente: Desertor! Que desertos infinitos camelos e suas sombras escuras no ouro arenoso do manto que se dissipa na dança do Simun violento Que espanto os céus tão profundos estrelas mais faiscantes tendas mais luxuosas o abrigam do frio da noite. Em que corpo descansa sucumbindo enfim o herói ao urgente ardente chamado do corpo em febril desejo “Que coragem a do moço de Penedono!” Que chuvas que ares salgados molham seu rosto queimado pelo poente incendiado. Alonga o olhar o alferes na imensidão do oceano... Quanto quis quanto quisera quanto quer (?) ser o moço de Penedono Quantas terras descobertas quantos Camões no seu peito quantos Vascos navegantes quantos mouros degolados quantas tormentas e seus cabos. El-Rey Dom Sebastião na lonjura vislumbrado na tela brilhante do ma em orientes de sol “Ser o moço de Penedono!” Sonha o alferes fechado nas letras miúdas redondas no dólmã tão apertado da Vida tão desertado. “Ser o moço de Penedono.....” ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Vera Ribeiro Guedes
[ Marisa Timponi e Vera Ribeiro Guedes]
BREJO SECO... BREJO MOLHADO...
- "Povo da minha terra! Se eleito for, prometo..." Dr. Julião, fazia um discurso inflamado, em uma pequena cidade do sertão nordestino. Eram mais ou menos 7.000 habitantes, 15 ruas, 1 praça com a Igreja Matriz; mas, o "voto de cabresto" ainda era mantido por lá.. A palavra de Padre Timóteo, valia mais do que nota de dólar, mas a Igreja, não se envolvia em política, apesar dos dois candidatos, Dr. Julião, dentista, do partido da situação e Sr. José das Rosas, comerciante muito próspero da região, do partido da oposição, prometer a reforma da Igreja. Dentaduras não faltavam no discurso de Dr. Julião e cestas básicas saíam do armazém do Sr. José das Rosas, como as rachaduras que se formavam na terra castigada pela seca. - "Meu filho, Dr. Julião é do partido de seu bisavô e sempre foi muito bom para a nossa família" - argumentava D. Josefa, mãe de Francisco da Silva, que fazia campanha para o comerciante, pois tinha o sonho de mudar a política da cidade, acreditando, com isso, resolver os problemas. A seca continuava a corroer o coração e o estômago do povo do lugar. A fome e a sede eram, a plataforma política dos ambiciosos que faziam disto os seus trampolins para Brasília. E, chegou o dia da eleição. Como sempre, quem matou a fome do povo e prometeu acabar com ela, venceu; e nisso a oposição havia sido mais esperta. "Para que dentaduras, se não temos o que mastigar?", era o seu slogan. Sr. José das Rosas tornou-se Deputado Federal. Foi morar em Brasília e nunca mais se ouviu falar dele. A seca prosseguiu. A irrigação não chegou. A fome aumentou. A mortalidade infantil cresceu. E o Sr. José das Rosas desapareceu. Ouvia-se dizer que há água debaixo do solo rachado do Sertão Nordestino; mas, não há interesse em irrigá-lo. Afinal, quando vier novamente o período eleitoral, como comprar votos, doando cestas básicas a um povo sem fome? Pois, o sertão irrigado, será o maior produtor do País. Há sol o ano inteiro; solo não falta; falta água! E, se ela vier, ninguém segura o sertão. Irá até exportar alimentos! O Brasil crescerá e será o maior produtor mundial. Mas, não há interesse... O bem-estar do povo, sempre esbarra na má vontade dos políticos corruptos que só querem se eleger e se aproveitam da "indústria da seca" para isto. Foi aí, que surgiu no Congresso, a idéia da legalização dos cassinos e, alguém disse que deveriam levá-los para o sertão nordestino. José das Rosas foi o primeiro a votar contra. Fez um discurso inflamado, desta vez, afirmando que o povo sofreria com o entra e sai de estranhos e blá, blá, blá... Desculpas esfarrapadas, porque se isso viesse a acontecer o seu "curral eleitoral" iria para o brejo e, "brejo seco". A Lei passou. E, o cassino mudou-se para o sertão nordestino. No dia seguinte, ao início das obras, apareceu como que milagrosamente a solução para o problema da seca, afinal, os ricos iriam para lá e não poderiam encontrar o solo maltratado; e os hotéis de luxo precisariam de água para preparar suas iguarias. E, Córrego Seco virou Nova Las Vegas. Seu povo era bonito, rico, vestido luxuosamente. Os jegues que carregavam carroças de palmas, que saciavam a fome, foram substituídos por luxuosos carros importados. E o povo esfomeado, maltrapilho e sofrido daquele lugar? Será que enriqueceu? Que nada! José das Rosas, o Deputado Federal, representante do lugar e eleito pelo povo da região, para cuidar de seus interesses, deu um jeitinho de expulsá-los. Afinal, não poderiam se misturar com gente fina. Não votavam mais nele, que a essa altura já havia mudado de opinião a respeito dos cassinos e seu "curral eleitoral" era outro. O brejo já tinha água; e com fartura... O Curral Eleitoral do Deputado José da Rosas, agora, livre da seca, havia crescido e enriquecido. Em Brasília, com prometeu em campanha, acabou com o desemprego de muitos conterrâneos da antiga “Córrego Seco”, como sua mulher, que passou a sua secretária particular; seu filho mais velho, seu 2º secretário; seu irmão, que sabia contar muito bem notas de dólar, principalmente, ganhou um emprego de tesoureiro; sua sobrinha de 2º tesoureiro; e, até o vira-latas da família, conquistou um posto de “Cão de Guarda” em sua casa, afinal, Deputado tem que ter proteção. Todos de sua inteira confiança... É claro! Assim, não correria o risco de ser roubado. Coitado! Afinal, seu pequeno salário, mal dá para as despesas que o cargo não cobre, como iates, apartamento em Miami, ou mesmo em Búzios, para ser mais simplório. Conta na Suíça, nem pensar! Porém, surgiu no Congresso, algo parecido com uma “Mesada”, coisa de pai para filho. Era um esquema honesto... honestíssimo... Bastava aprovar alguns projetos do “Partido Pai”. Por que não? Afinal a irrisória “ajuda de custo” ajudaria a cobrir parte de suas imprescindíveis despesas. Mas, o que o Deputado José das Rosas não previa, é que uma bomba, ou melhor, um homem-bomba, explodiria com tanta violência; e que, o molho da pizza azedaria tão depressa. É hora de uma retirada estratégica. Quem sabe, voltar aos Cassinos de “Nova Las Vegas” para, talvez, ganhar uma bolada. Mas, isso dependeria de sorte e não de maracutaia. E o Deputado José das Rosas, voltou para Nova Las Vegas, com a cueca lotada de dólares. A Polícia Federal, bem que tentou segurá-lo, mas não conseguiu. Chegando ao destino, sua primeira providência foi procurar seus eleitores, com a conversa esfarrapada de que havia voltado para conferir se o povo estava sendo bem cuidado, pela administração local. Só, que ele havia esquecido que a antiga população, da antiga Córrego Seco, não vivia mais por lá. Haviam “caçado o rumo”, como ele mesmo disse. O povo de Nova Las Vegas, ricos habitantes, não dependiam do político corrupto, tinham sua própria corrupção. Porém, gostavam de um joguinho, que é o ponto turístico e principal fonte de renda da Cidade. O nobre Deputado pegou seus dólares e foi aos cassinos. Ganhou muitos, perdeu alguns, e enquanto o Congresso pegava fogo, ele se divertia às custas daqueles que um dia depositaram nele, a esperança de uma vida melhor. Mas esta história não termina aqui... ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ No terceiro momento convidamos Sueli Navarro, gerente do Espaço Cultural dos Correios para falar sobre seu funcionamento, objetivos e programação. Foi uma bela explanação e ela aproveitou para nos fazer um convite:O Espaço Cultural Correios convida para o primeiro Ciclo de Palestras "100 Rosas para Noel" - Centenário de nascimento do poeta Noel Rosa Vagas Limitadas - Inscrições pelos telefones: (32) 3690-5715/5713
Finalizamos o encontro com a divulgação e sorteio de livros de integrantes do grupo recentemente publicados e livros doados por Sueli Navarro.
Poemas de Cecy Campos
Livro didático de língua e literatura
de Leila Barbosa e Marisa Timponi e outros
autores.
Conto infantil de Maria Helena Sleutjes
Depois fomos para o MEZCLA, como quase sempre o fazemos - nossa casa de cultura latino-americana sob a direção do ator Marco Marinho, com café, música e descontração total.
Foi assim…
8 Responses to “CAFÉ COM POESIA ( E ARTE)”
- Eliana Mora Says:
March 26th, 2011 at 20:26 Aqui, lendo esta bela postagem, relembro de alguns momentos e penso em como valeu a pena. Sempre vale. E aproveito para mais uma vez dizer como é bom estar com vocês no “Café….”.Um beijo a todas e todos, e mais uma vez obrigado por todo o carinho.
Eliana
- Magda Trece Ribeiro Says:
March 27th, 2011 at 19:30 Pelo jeito o encontro foi incrivel. Incrivel também o que vc escreveu sobre Café com Poesia, eu senti o gosto forte do café e senti o cheiro doce da poesia. Parabéns mulher!! - Cláudia Freire Lima Says:
March 28th, 2011 at 18:18 Querida Maria Helena, vc e todos ai estão de parabéns, pois estão transformando esse café/poesia/palestra em uma referência para a literatura de Juiz de Fora.
Gostaria muito de ir para o encontro de Julho, mas infelizmente minhas férias no consultório será sempre nas duas últimas semanas do mês…
UM beijo doce para vc e todos desse grupo maravilhoso! - lazara Says:
March 29th, 2011 at 22:58 Realmente foi incrível ! E você Maria Helena torna tudo ainda mais memorável com este belo registro em imagens e palavras. beijos - Helena Says:
March 30th, 2011 at 00:13 É tanta coisa boa que dá uma vontade enorme de ser “platéia” num momento assim!
E o poema Café com Poesia é tudo o que penso haver de melhor num bom café: sabor, aroma, doçura… e companhia.
Aplausos todos!
Um beijo! - Ana Másala Says:
March 30th, 2011 at 00:44 Obrigada pelo poema, uma vez mais.Tenho comigo guardado e com a sua letrinha. Obrigada por não desistir quando tudo parece tão difícil, porque esses encontros representam muito para todos nós.
Mais um momento inesquecível para guardar na memória e enfeitar o coração.
Beijo grande
Ana - Ana Miranda Says:
March 30th, 2011 at 23:14 Você, Maria Helena, é uma pessoa ímpar!!!
Obrigada por nos proporcionar tanta emoção em tão pouco tempo!!!
Amo você, menina mulher!!! - Jorge Luiz Alves Says:
March 31st, 2011 at 23:23 Mais um café, mais um encontro, outra dose generosa de saborosas emoções! Um abraço nos amigos juizforanos e um beijo na amada amiga Maria.
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ÚLTIMO ENCONTRO DE 2010
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria
ÚLTIMO ENCONTRO DE 2010
Aconteceu no Museu de Arte Murilo Mendes no dia 04 de dezembro de 2010
O palco estava assim, forradinho de recados. Arte do Marcos Marinho para falar conosco sobre o tema do encontro – R E N A S C E R.
Vocês se lembram dos recados?
Não se admire se um dia, um beija flor invadir a porta da sua casa com frases dizendo assim: – Faz tempo que eu não te vejo! - Te mando um monte de beijos. - Ai, que saudade!E mais:
Era uma vez um príncipe albanês que aprendeu a falar português por causa de um poeta que viveu às margens de um rio de águas barrentas que passa por uma cidade no interior do Brasil. E ainda:
Certo dia, já cansado, parou sob uma árvore, deitou, sonhou que estava ali, sob a árvore, descansando e encontrando-se.
Ou então:
Lo que puede el sentimiento no lo hay podido el saber ni el mas puro proceder el mas ancho pensamiento. Todo lo cambia al momento cual mago condescientente nos aleja dulcemente de rencores y violencias. Solo el amor con su ciência nos vuelve tan inocentes.
E tinha mais, muito mais. Uma seleção e tanto de pensamentos!
Querido Grupo e queridos amigos
“Os filósofos explicam
os poetas cantam
os músicos vibram
os cientistas desvendam a marcha inexorável da vida”
e no final estamos apenas
procurando a mesma coisa:
espaço para existir.
É isto o que fazemos aqui, nesta tarde de sol, no encontro do Café com Poesia ( e Arte) que está chegando a sua última reunião do ano.
E o que é o Café com Poesia ( e Arte)?
O Café com Poesia ( e Arte) são vocês que estão aqui conosco e que acreditaram no valor destes encontros.
Então, só tenho a agradecer, agradecer, agradecer.
Este último encontro foi organizado pela nossa querida Ana Másala. Estive às voltas com o lançamento do Formas Fractais e tive que confiar a Ana esta tarefa.
Ana, as flores são para você, merecidamente! Muito obrigada!

Iniciamos com um momento musical. Ana Másala canta para nós acompanhada por Jefferson Moraes do Clube do Choro.
Depois Marcos Marinho interpreta a lenda africana da águia e da galinha apresentada por Leonardo Boff em seu livro – A águia e a galinha.
Aqui estão momentos marcantes desta beleza de performance:
Um pedacinho da história, só para relembrar:
” Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas.
O camponês sorriu e voltou à carga:
- Eu lhe havia dito, ela virou galinha!
- Não, respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma vez. Amanhã a farei voar…
A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.
Nesse momento ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergue-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez mais para o alto. Voou até confundir-se com o azul do firmamento”
O ator Marcos Marinho recebendo da Ana uma lembrança do Grupo. Nossa lembrança é sempre uma caneca, saibam todos.
Aplausos, muitos aplausos para você Marcos Marinho!
Prosseguindo, contamos com a talentosa Andrea Lira acompanhada por
Guilherme Guimarães ao violão e Jefferson Moraes no pandeiro, vejam:
Abaixo, Lázara Papandrea ao lado de Rogério Tadeu fotografando o encontro.
Lembramos a todos que o Grupo Café com Poesia ( e Arte) está hoje no TRIBUNA DE MINAS com foto de alguns integrantes.
Prosseguimos com a apresentação de textos sobre o tema RENASCER apresentados pelos integrantes.
Rogério Tadeu nos apresentou seu poema – Dias nublados
Num doente estado de loucura encaderno os planetas numa aventura egoísta que chega a desalinhar as esferas. Assim semeio estrelas perfeitas em estações impróprias pranteando as virtudes cegas de ser forte sem ser luta. Mexo até sem perceber com a vida dos girassóis e das borboletas. Coloco no corpo de uma semente a idéia de ser livre e a crise existencial de uma raiz. Porém quando vejo o sol quero num de repente arrumar tudo. Chego a invejar os derrotados mais que os vencedores porque nunca chegaram no limite de suas forças nunca precisaram desistir.
Nosso abraço ao Rogério que está deixando Juiz de Fora para ir morar na Região dos Lagos. Boa sorte para ele neste novo recomeço.
Ana Miranda, que também ganhou flores por ter secretariado tão bem o Grupo durante 2010, apresentou o poema de sua filha, Anna Caroline - Fim e começo:
O que seria mais angustiante O momento do fim Ou o estalar de um começo. O que trará mais medo O anúncio de que irá acabar Ou o aviso de que começarei sozinha. E como é difícil Lidar com minha insegurança Quando não sei se diluo o fim Ou se alimento meu começo. Só sei que em um ano Queira eu ou não Minha vida verá um fim Para esboçar meu Recomeço.
Aqui, Eliana Mora nos apresentando seu poema – A criação de um novo eu.
Se não posso acalentar o teu sorriso se não posso tornar teu meu coração a massa de moldar de que sou feita vai aos poucos bem aos poucos se firmando e acaba por ficar como a do pão maleável, saborosa, forte e ebela para quem sabe enxergar por dentro dela e tem ainda o poder de imaginar o que é parte crucial da formação de um mundo de uma vida do milagre da transformação da anistia que se dá ao próprio corpo da fome, da beleza e da canção. Isso tudo para estar neste planeta aprender alguma coisa com o passado não sentir que até precisa andar de lado para ser despercebido por alguém. Sofrer na carne levar socos e ainda se salvar na verdade [pense bem] não é de fato somente para o trigo para nós que já nascemos sem saber nosso destino ser soado quando a busca é por um gesto de carinho pode ser mesmo a lição que nos completa. Pode ser mais: a marca que a nós faltava de uma vida, de uma estrada de um caminho.Abaixo Vera Ribeiro Guedes, com seu poema – De volta à esperança
Sonhos a procura da realidade correm contra o tempo deixando cair ao vento, planos de felicidade. Palavras udas, absurdas, em um coração de criança, enfadado, maltratado, cheio de esperança… Que a cada ano se renova, como se fosse parar o tempo, transformar os sentimentos, colocar o amor a prova. E, como um pássaro aprisionado, sem encontrar uma saída, roga a Deus que lhe proteja, não o deixe perder a vida. Saúde, paz, prosperidade, dinheiro pra se lambuzar mas a tal felicidade não dá aparaalcançar. É Natal! Um menino nasceu pobre, para demonstrar ao mundo, que muito maior que ser nobre é ter um amor profundo.Alguns outros integrantes também se apresentaram,
mas estou sem seus textos:
Angelina Nardy da Academia Juizforana de Letras.
Lázara Papandrea do Recanto das Letras.
Cecy Campos da Academia Juizforana de Letras.
Abaixo Marisa Timponi apresentando o Poema de Natal do modernista Jorge de Lima ( lindo demais!):
Ó Meu Jesus, quando você ficar assim maiorzinho venha para darmos um passeio que eu também gosto das crianças. Iremos ver as feras mansas que há no jardim zoológico. E em qualquer dia feriado iremos, então, por exemplo, ver o Cristo Rei Corcovado. E quem passar vendo o menino há de dizer: ali vai o filho de Nossa Senhora da Conceição! - Aquele menino que vai ali ( diversos homens logo dirão) sabe mais coisas que todos nós! - Bom dia, Jesus! – dirá uma voz. E outras vozes cochicharão: - É o belo menino que está no livro da minha primeira comunhão! - Como está forte! – Nada mudou! - Que boa saúde! Que boas cores! ( Dirão adiante outros senhores). Mas outra gente de aspecto vário há de dizer ao ver você: - É o menino do carpinteiro! E quando voltarmos pra casa, à noite, e forem pra o vício os pecadores, eles sem dúvida me convidarão. Eu hei de inventar pretextos sutis pra você me deixar sozinho ir. Menino Jesus, miserere nobis, segure com força a minha mão.
E Leila Barbosa, nos trouxe Murilo Mendes. Eis aqui o Natal de Murilo (quase inteiro):
Meu outro eu angustaiado desloca o curso dos astros, atravessa
[ os espaços de fogo e toca a orla do manto divino.
O ser dos seres envia seu Filho para mim, para
os outros que O
[ pedem e para os que O esquecem.
Uma criança dançando segura uma esfera azul com a cruz:
Vêm adorá-la brancos, pretos, portugueses, turcos, alemãs
[russos, chineses, banhistas, beatas, cachorros e
banda de música.
A presença da criança transmite aos homens uma paz inefável…
Imagens do encontro:

Foi assim…
ENCONTRO DE NOVEMBRO
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria
O grupo reuniu-se novamente no dia 06 de novembro de 2010,
no Museu de Arte Murilo Mendes, desta vez para homenagear
Clarice Lispector
e apresentar textos pessoais sobre o tema ENCONTRO.
Agradecendo a presença de todos, abri com prazer este encontro.
A tarde era fria e chuvosa e uma árvore enorme nos oferecia suas flores
amarelas pelas janelas do auditório. Uma tarde ideal para pensar,
saborear e viver o talento literário de Clarice Lispector.
Conosco neste encontro, o poeta Jorge Luiz da Silva Alves ( Rio de Janeiro)
e o casal de escritores Maria Helena e Wanderley Luiz de Oliveira.
Ele, presidente da Associação de Cultura Luso-brasileira.
Este encontro contou também com a participação especial
do músico Guilherme José Guimarães que abrilhantou os momentos musicais
juntamente com José Renato, acompanhando ao violão a poetisa Ana Másala.
Ana apresentou a música ” Encontros e despedidas”. Vejam:
A seguir passamos um vídeo da Umbrella Art com pensamentos
de Clarice Lispector para aquecer as turbinas.
Abaixo o pessoal assistindo.
E depois, uma aula!
Após a apresentação da crítica sobre o traço intimista do estilo clariceano -
com foco nos contos “Feliz Aniversário” e “Uma galinha”, de Laços de
Família – contida no volume 3, da Coleção Mais Português, língua e
literatura, para o ensino médio, da Editora Escala Educacional, p. 295-7,
do qual Leila Barbosa e Marisa Timponi são coautoras, junto com uma
equipe de seis autores de Juiz de Fora, incluindo Cláudia Miranda,
Andréia Garcia, Margareth Brandão e Tiago Torrent.
Após a leitura de um poema de sua
autoria, Leila Barbosa leu trechos do livro A paixão segundo G.H.,
destacando a relação de “ser sincera”, a verdade como pretexto para mentir e
ainda a conclusão reflexiva sobre a vida (“…a vida se me é. A vida se me é, e
eu não entendo o que digo. E então adoro.”).
Marisa Timponi.
Marisa leu poemas de sua criação, inspirados e em homenagem
a Clarice Lispector:
INSEGURANÇA
Marisa Timponi
Ameaças explodem no ar,
Dossiês são criados/comprados,
Fontes se revelam.
Líderes cautelosos,
Prometem cumprir tratados,
Aguardam vencer tensões.
Encontros e desencontros na esquina,
À beira do antiuniverso debruçado,
Carros se chocam,
Baratas expõem suas essências,
Na paixão do existir,
Do dia a dia indefinido.
E aí sou: se me é, sendo.
“ Perder-se também é caminho”(C.L.)
Marisa Timponi, em 06/11/2010
E ainda:
APESAR DE…
(Epitáfio de minha Lápide)
Registrada na vida,
Tenho a ficha da felicidade,
Para entrada no reino do encantamento…
Leila Barbosa também apresentou um lindo poema de inspiração clariceana:
























































































































