O primeiro encontro de 2011

O primeiro encontro de 2011
(Na foto o escritor carioca Jorge da Silva Alves,
José Renato e a poeta Ana Másala com outros integrantes do Grupo)

As saudades  eram muitas… e ousamos dizer isto neste mundo quase sem afetividade, neste que é o primeiro encontro do ano do Grupo Café com Poesia ( e Arte) em seu terceiro ano de existência.

Reunimo-nos novamente no MAMM – Museu de Arte Murilo Mendes, este espaço privilegiado, de paredes  impregnadas de Murilo Mendes e todos os poetas e artistas de sua convivência.

Podemos então, nós que amamos a literatura e a arte, nos sentirmos muito em casa, muito descontraídos para desfrutarmos  bem deste momento.

Não pude deixar de agradecer ao professor José Alberto Pinho Neves, pró-reitor de cultura da UFJF e ao Beto Campos, produtor cultural do MAMM pelo apoio recebido.

A idéia de criar o Grupo nasceu no primeiro café que tomei com a poeta Ana Másala no Planet Music. Nós que já nos conhecíamos há 3 anos no Recanto das letras, portanto na Internet, resolvemos nos conhecer pessoalmente. O encontro foi marcante porque resultou no poema de minha autoria chamado Café com Poesia. Vejam:

                     [Para Ana Másala]

Colocava na mesa

Palavras macias

Redondas

Inteiras

Como num jogo

De três marias.

A vida era simples,

Completa

E boa,

Pelo menos

Naquela hora.

O café na xícara

O sorriso na boca,

Ora alegre,

Ora triste…

De vez em quando

Mexia o café

Com uma colher de poesia.

Então,

Roubava do tempo

O contorno das horas

E viajava no vento

Pelos trigais.

No encontro de hoje nos propusemos a homeangear o escritor José Saramago

e isto foi feito pela  jornalista e poeta Eliana Mora, que  o conheceu pessoalmente e vai trazê-lo  agora para mais perto de nós.

cp- 2011-0

(Eu e Eliana Mora)

Na cronologia de vida do escritor, Eliana inseriu muita coisa interessante, vejam:

José Saramago, filho dos camponeses José de Souza e Maria da Piedade, nasce em 1922 na aldeia da Azinhaga, província do Ribatejo, Golegã, Portugal. Faz seus estudos secundários que, por dificuldades econômicas, não prossegue. Mas é bom que se diga: procura o Saber nas bibliotecas, e tem até sua preferida: a Biblioteca Municipal do Palácio das Galveias, em Campo Pequeno. E assim desenvolve seu potencial ‘para além da formação escolar’.

Seu primeiro emprego é o de serralheiro mecânico; exerce diversas outras profissões: desenhista, funcionário de saúde e previdência social; editor, tradutor, jornalista.

Em 1944 casa-se com Ilda Reis, com quem tem a única filha, Violante, nascida em 1947.

Publica o seu primeiro livro, um romance – “A terra do pecado” – também em 1947. Diz serem claras neste livro as influências que teve de Eça de Queiroz e de Fernando Pessoa.  Em 1966, publica seu primeiro livro de poesia, “Os Poemas Possíveis”.


Seus ideais comunistas e seus posicionamentos políticos o fazem pertencer a partidos de esquerda. Em 1969 torna-se membro do Partido Comunista Português [PCP]. Milita durante longo tempo na vida pública partidária, despedindo-se dela somente em 1990.

Entre 1972 e 1973 faz parte da redação do jornal “Diário de Lisboa”; colabora na revista “Vértice”, e ainda na “Seara Nova”, onde atua como crítico literário. Edita o seu primeiro volume de crónicas políticas em 1974.

Faz parte da primeira direção da Associação Portuguesa de Escritores, e no período de 1985 a 1994, é presidente da Assembléia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores. Entre Abril e Novembro de 1975 torna-se diretor-adjunto do jornal “Diário de Notícias”. A partir de 1976 passa a viver exclusivamente do seu trabalho literário: primeiro como tradutor, depois como autor.

Casa-se em outubro de 1988 com a jornalista espanhola Pilar Del Rio, que conheceu em 1986

( filme)

( vou pedir a Cris para inserir)


É nomeado Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Turim (Itália), de Sevilha (Espanha) e de Manchester (Reino Unido); membro Honoris Causa do Conselho do Instituto de Filosofia do Direito e de Estudos Histórico-Políticos da Universidade de Pisa (Itália); membro da Academia Universal das Culturas (Paris); membro correspondente da Academia Argentina das Letras; membro do Parlamento Internacional de Escritores (Estrasburgo, França).


Recebe o prêmio Internacional Literário Mondello (Palermo), 1992 (Conjunto da Obra). E o Prêmio Literário Brancatti (Zafferana/Sicília), 1992 (Conjunto da obra). O Prêmio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE), vem em 1993.

É também em 1993 que se transfere com Pilar para a ilha Canária de Lanzarotte, na Espanha.

Ganha o prêmio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), em 1995. Suas obras já então publicadas em diversos países.

Em  1996 viaja ao Brasil para receber o Prêmio Camões, instituído pelos governos do Brasil e de Portugal em 1988. [o anterior fora ganho pelo escritor brasileiro Jorge Amado].


É laureado com o Prêmio Nobel da Literatura de 1998 pela Nobel Foundation.  Primeiro autor de língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura, Saramago foi considerado, pelo crítico Harold Bloom, como “o escritor de romances mais dotado de talento dos que seguem com vida, um dos últimos titãs de um gênero em vias de extinção”.


Seu romance “Memorial do Convento” é adaptado para ópera pelo compositor italiano Azio Corghi, com o título “Blimunda”.

A peça de teatro “In Nomine Dei” é adaptada para ópera por Azio Corghi, com o título “Divara”.

É criada a Fundação José Saramago, em junho de 2007.

É lançada em 2008 a versão cinematográfica do romance “Ensaio sobre a Cegueira”, do diretor brasileiro Fernando Meirelles.

O “comunista hormonal” – repetindo as próprias palavras de José Saramago –, morre em 18 de junho de 2010, aos 87 anos.

Além de tudo isto, Eliana nos brindou com algo inusitado e do conhecimento de poucos, a exibição de uma animação realizada na Espanha sobre o conto infantil de José Saramago – A MAIOR FLOR DO MUNDO.

Não consegui inserir este filme, porque ultrapassa a capacidade do site.

Agradecemos imensamente a Eliana Mora pela excelente contribuição, pela emoção que nos proporcionou com a exibição dos filmes, pelo levantamento suscinto e interessante sobre o escritor.
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Prosseguindo, convidei as escritoras Marisa Timponi e Leila Barbosa para uma apresentação sobre o escritor homenageado.

Ambas, escritoras e professoras de literatura, trouxeram além de outras informações sobre ele, o Conto da Ilha Desconhecida,  este fantástico conto transformado em peça teatral… que tive o prazer de assistir aqui em Juiz de Fora.  E elas disseram:
O conto da Ilha Desconhecida, livro publicado em 1988, é uma das obras atuais mais representativas de José Saramago. Confirmando a condição inusitada de sua ficção, quer pela temática, quer pelo discurso inovador, sem os marcadores convencionais, como parágrafos, dois pontos e travessões, por exemplo, a narrativa de O conto da ilha desconhecida se assemelha às parábolas bíblicas. Por isso, o conto pode ser lido como a parábola do sonho realizado, a partir da vontade e da obstinação, diante das adversidades.

O Conto da Ilha Desconhecida ( fragmento)

(…) Para ir à procura da ilha desconhecida, respondeu o homem, Que ilha desconhecida, perguntou o rei disfarçando o riso, como se tivesse na sua frente um louco varrido, dos que têm a mania das navegações, a quem não seria bom contrariar logo de entrada, A ilha desconhecida, repetiu o homem, Disparate já não há ilhas desconhecidas, Estão todas nos mapas, Nos mapas só estão as ilhas conhecidas, E que ilha desconhecida é essa de que queres ir à procura, Se eu to pudesse dizer, então não seria desconhecida, A quem ouviste tu falar dela, perguntou o rei, agora mais sério, A ninguém, Nesse caso, por que teimas em dizer que ela existe, Simplesmente porque é impossível que não exista uma ilha desconhecida, E vieste aqui para pedires um barco, Sim, vim aqui para pedir-te um barco, E tu quem és, para que eu to dê, E tu quem és, para que não mo dês, Sou o rei deste reino, e os barcos do reino pertencem –me todos, Mais lhes pertencerás tu a eles do que eles a ti, Que queres dizer, perguntou o rei, inquieto, Que tu, sem eles, és nada, e que eles sem ti, poderão sempre navegar (….)E assim Leila e Marisa prosseguiram:

Saramago nos conta a busca de uma ilha que não consta em nenhum mapa. Uma fábula simples, em sua investigação e recriação de situações que questionam as ansiedades e esperanças humanas. Os personagens do conto não têm nomes definidos, apenas as profissões aparecem para marcar suas posições interpretativas na narrativa. Assim, Saramago marca a posição hierárquica dos personagens enfatizando suas funções, que refletem a complexidade de relações próprias de um sistema marcado pelas desigualdades.

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A seguir Lázara Papandrea nos brindou com um texto do escritor sobre o sorriso:

[ Lázara ainda na platéia com a filha e as amigas]
 
" Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o acto de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contracção muscular da boca e dos olhos. O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no acto de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exactamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem. Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso. O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso". José Saramago ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ O poeta Jorge Luiz da Silva Alves trouxe do Rio um texto que ele escrevera à noite para o  nosso encontro e que só nos apresentou no MEZCLA, preocupado com o avançado da hora, mas que faço questão de resgatá-lo aqui. O saboroso veneno de um genial escorpião Jorge Luiz da Silva Alves Ainda rezavam os portugueses na Cova da Iria, aguardando um outro sinal da Virgem, em dezesseis de novembro de vinte e dois: como o Mestre Maior escreve certo por linhas tortas, Ele caprichou na encomenda – e, em Azinhaga, concelho (com 'c') de Golegã, veio Saramago... e nunca mais uma só alma pia da sociedade lusa em todos os quadrantes da Terra teve um segundo de sossego. E se Deus é a Verdade, doa a quem doer, esta veio na dura carapaça do humilíssimo serralheiro mecânico que, à noitinha, aproveitava o tempo que a madrugada lho outorgava para cuidar de seu genuíno amor: o que sentia pelas palavras. Eram tempos difíceis, mas estas sempre lhe facilitaram o convívio com a gente chã dum Portugal que ainda patinava no medievalismo campônio-católico do início do século passado. E, se Portugal inteira aguardava, após duas sangrentas guerras e durante o pulso firme dum Salazar inflexível, o conforto das doces palavras de Maria, o que veio, no silêncio dum mourejante anonimato no serviço público, foi um romance de título bastante significativo, “Terra do Pecado” (1947). E até este parágrafo – curiosamente – a existência de Saramago veio sempre flanqueada às questões religiosas e existenciais do povo luso, cujo sofrimento e tenacidade era aplacado ou amenizado com rosários e confissões à socapa nos templos... enquanto o seu próprio era agravado por não poder dar mais asas à imaginação devido à crônica dificuldade financeira, quando chegou aos anos cinquenta precisando completar o orçamento como tradutor de gênios da literatura européia... Talvez por conta de tantos obstáculos, resolvera abrandar seu périplo por africana sina literária ('Clarabóia' fora rejeitado cruelmente, a ponto de ainda não estrear no mercado) e enveredou pelo sonoro e balsâmico caminho da poesia. Destilando seu talento por cada edição discretamente lançada, fora vitimado pelos cravos duma revolução que até hoje, em Portugal, suscita controvérsias e debates. Bom ou mal, Saramago definiu ali seu modus vivandi, e optou por dedicar-se integralmente à literatura. E a partir de então, o veneno do escorpião adquiriu o saboroso azedume, feito paladar de espírito – coisa que algumas potestades jamais engoliram bem. “Memorial do Convento”(1980), metafórico e instigante, revelou definitivamente que a farsa filosófico-social em que a Igreja mergulhara seu país durante quase um milênio desnudara-se por completo; no “Evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991), Saramago procura liberar o Cordeiro de seu próprio Holocausto em nome duma Humanidade que lhe pervertera os reais ensinamentos; ”A Jangada de Pedra” é uma cutucada esperta num lusitanismo defunto face à vivacidade política hispânica, que acabou por sedimentar as bases dum raciocínio panibérico, causa de muitas razias contra sua posição. Mas é no “Ensaio Sobre a Cegueira” que o escorpião é fatal, terminal: como este pequeno monstro que devora suas crias e semelhantes para sobreviver a todo custo, a cidade, cega pelo vazio de seus valores, cai num estágio de barbárie e posterior selvageria, dizima implacavelmente todos os seus feitos e conquistas sob o testemunho impotente duma única pessoa de visão sadia. E mais uma vez, as baterias são assestadas contra a Igreja – durante milênios, a única portadora da “visão” de milhões de almas confusas e analfabetas...entre outros significados. Mas nem mesmo o Vaticano, ou Telavive (ele, acusado enganosamente de antisemitismo) foram tão rápidos em seus flagelos: arrastara suas fabulosas peçonhas para a inóspita Lanzarote, pois já estava farto de suas cruzadas contra a hipocrisia humana. E foi o solo vulcânico e agreste daquele ilhéu das Canárias que recebera a maior de todas as honras da cultura lusa, o último suspiro do único Prêmio Nobel de Literatura da língua de Camões. Continuam os portugueses a correr para Fátima: em busca da intervenção divina para seus males, aguardam, ansiosos, um sinal dos Céus para que sua nação emerja da inércia. Mas o Senhor é sábio em seus desígnios, mesmo os incompreensíveis para nós, pobres de alma e cultura, ao responder-nos, em tsunâmico tonitruar: “ Mandei-vos Saramago. Por quê o rejeitastes, prole de Caim?!” www.jorgeluiz.prosaeverso.net ^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^ A poeta Ana Másala apresentou parte de uma entrevista de Pilar Del Rio ( mulher de Saramago) sobre o escritor. Muito comovente. Que amor bonito! Confiram: http://ww1.rtp.pt/antena1/index.php?t=Entrevista-a-Pilar-del-Rio.rtp&article =3314&visual=11&tm=16&headline=13 Encerramos a homenagem com a exibição de alguns pensamentos do escritor. Para ver cliquem sobre o Saramago abaixo. Saramago ^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^ Ainda neste encontro tivemos a apresentação de textos pessoais de quatro integrantes do Grupo: Angela Nabuco, Regina  Barbosa, Glória Barroso e Vera Ribeiro Guedes. Vejam: Angela Nabuco experimenta pegar todas as tuas lembranças as mais caras, que te põem no colo ou envaidecem as mais tolas ou ridículas aquelas que te causaram extrema dor teu nome e sobrenome e tudo o mais de que és feito até o dia de hoje fazer um embrulho caprichado amarrado em fita de cetim e em dádiva a qualquer coisa que acredites jogá-lo ao mar de preferência  em alto mar no escuro de uma noite em que a tempestade fizer dele um gigante furioso nele respirar o cheiro da morte e quase náufrago chorar a dor da grande perda do que pensavas ser ou julgavas ter ao amanhecer, e só então numa leveza de novidade serás vivo e livre para celebrar quem realmente és [angela nabuco] ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Regina Barbosa {Regina Barbosa com Cecy Campos] estou aguardando o texto para publicar ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Glória Barroso [ Gloria Barroso ladeada pelo Professor Tiago e uma amiga] O Moço de Penedono A Miguel Torga   (depois da leitura de O senhor Ventura) Que ilhas   que mares mistérios desvelados(?) Velas grávidas    caravelas aventuras vive o Ventura o moço de Penedono. Quantos verdes nos seus olhos quantos azuis nos seus sonhos que doce balanço do mar quanta dança nas suas ondas quantas moças lhe sorriem quantos braços  quantas ramas quantos leques das palmeiras quantas línguas estrangeiras! Que crepúsculos Que horizontes se sucedem cambiantes...   Fechado na sua sala cumprindo apontamentos cisma o alferes que fere com sua pena o papel indiferente: Desertor! Que desertos infinitos camelos e suas sombras escuras no ouro arenoso do manto que se dissipa na dança do  Simun  violento   Que espanto os céus tão profundos estrelas mais faiscantes tendas mais luxuosas o abrigam do frio da noite. Em que corpo descansa sucumbindo enfim o herói ao urgente ardente chamado do corpo em febril desejo “Que coragem a do moço de Penedono!” Que chuvas  que ares salgados molham seu rosto queimado pelo poente incendiado. Alonga o olhar o alferes na imensidão do oceano... Quanto quis quanto quisera quanto quer (?) ser o moço de Penedono Quantas terras descobertas quantos Camões no seu peito quantos Vascos navegantes quantos mouros degolados quantas tormentas e seus cabos. El-Rey Dom Sebastião na lonjura vislumbrado na tela brilhante do ma em orientes de sol “Ser o moço de Penedono!” Sonha o alferes fechado nas letras miúdas  redondas no dólmã tão apertado da Vida tão desertado. “Ser o moço de Penedono.....”  ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Vera Ribeiro Guedes [ Marisa Timponi e Vera Ribeiro Guedes]

BREJO SECO... BREJO MOLHADO...

- "Povo da minha terra! Se eleito for, prometo..." Dr. Julião, fazia um discurso inflamado, em uma pequena cidade do sertão nordestino. Eram mais ou menos 7.000 habitantes, 15 ruas, 1 praça com a Igreja Matriz; mas, o "voto de cabresto" ainda era mantido por lá.. A palavra de Padre Timóteo, valia mais do que nota de dólar, mas a Igreja, não se envolvia em política, apesar dos dois candidatos, Dr. Julião, dentista, do partido da situação e Sr. José das Rosas, comerciante muito próspero da região, do partido da oposição, prometer a reforma da Igreja. Dentaduras não faltavam no discurso de Dr. Julião e cestas básicas saíam do armazém do Sr. José das Rosas, como as rachaduras que se formavam na terra castigada pela seca. - "Meu filho, Dr. Julião é do partido de seu bisavô e sempre foi muito bom para a nossa família" - argumentava D. Josefa, mãe de Francisco da Silva, que fazia campanha para o comerciante, pois tinha o sonho de mudar a política da cidade, acreditando, com isso, resolver os problemas. A seca continuava a corroer o coração e o estômago do povo do lugar. A fome e a sede eram, a plataforma política dos ambiciosos que faziam disto os seus trampolins para Brasília. E, chegou o dia da eleição. Como sempre, quem matou a fome do povo e prometeu acabar com ela, venceu; e nisso a oposição havia sido mais esperta. "Para que dentaduras, se não temos o que mastigar?", era o seu slogan. Sr. José das Rosas tornou-se Deputado Federal. Foi morar em Brasília e nunca mais se ouviu falar dele. A seca prosseguiu. A irrigação não chegou. A fome aumentou. A mortalidade infantil cresceu. E o Sr. José das Rosas desapareceu. Ouvia-se dizer que há água debaixo do solo rachado do Sertão Nordestino; mas, não há interesse em irrigá-lo. Afinal, quando vier novamente o período eleitoral, como comprar votos, doando cestas básicas a um povo sem fome? Pois, o sertão irrigado, será o maior produtor do País. Há sol o ano inteiro; solo não falta; falta água! E, se ela vier, ninguém segura o sertão. Irá até exportar alimentos! O Brasil crescerá e será o maior produtor mundial. Mas, não há interesse... O bem-estar do povo, sempre esbarra na má vontade dos políticos corruptos que só querem se eleger e se aproveitam da "indústria da seca" para isto. Foi aí, que surgiu no Congresso, a idéia da legalização dos cassinos e, alguém disse que deveriam levá-los para o sertão nordestino. José das Rosas foi o primeiro a votar contra. Fez um discurso inflamado, desta vez, afirmando que o povo sofreria com o entra e sai de estranhos e blá, blá, blá... Desculpas esfarrapadas, porque se isso viesse a acontecer o seu "curral eleitoral" iria para o brejo e, "brejo seco". A Lei passou. E, o cassino mudou-se para o sertão nordestino. No dia seguinte, ao início das obras, apareceu como que milagrosamente a solução para o problema da seca, afinal, os ricos iriam para lá e não poderiam encontrar o solo maltratado; e os hotéis de luxo precisariam de água para preparar suas iguarias. E, Córrego Seco virou Nova Las Vegas. Seu povo era bonito, rico, vestido luxuosamente. Os jegues que carregavam carroças de palmas, que saciavam a fome, foram substituídos por luxuosos carros importados. E o povo esfomeado, maltrapilho e sofrido daquele lugar? Será que enriqueceu? Que nada! José das Rosas, o Deputado Federal, representante do lugar e eleito pelo povo da região, para cuidar de seus interesses, deu um jeitinho de expulsá-los. Afinal, não poderiam se misturar com gente fina. Não votavam mais nele, que a essa altura já havia mudado de opinião a respeito dos cassinos e seu "curral eleitoral" era outro. O brejo já tinha água; e com fartura... O Curral Eleitoral do Deputado José da Rosas, agora, livre da seca, havia crescido e enriquecido. Em Brasília, com prometeu em campanha, acabou com o desemprego de muitos conterrâneos da antiga “Córrego Seco”, como sua mulher, que passou a sua secretária particular; seu filho mais velho, seu 2º secretário; seu irmão, que sabia contar muito bem notas de dólar, principalmente, ganhou um emprego de tesoureiro; sua sobrinha de 2º tesoureiro; e, até o vira-latas da família, conquistou um posto de “Cão de Guarda” em sua casa, afinal, Deputado tem que ter proteção. Todos de sua inteira confiança... É claro! Assim, não correria o risco de ser roubado. Coitado! Afinal, seu pequeno salário, mal dá para as despesas que o cargo não cobre, como iates, apartamento em Miami, ou mesmo em Búzios, para ser mais simplório. Conta na Suíça, nem pensar! Porém, surgiu no Congresso, algo parecido com uma “Mesada”, coisa de pai para filho. Era um esquema honesto... honestíssimo... Bastava aprovar alguns projetos do “Partido Pai”. Por que não? Afinal a irrisória “ajuda de custo” ajudaria a cobrir parte de suas imprescindíveis despesas. Mas, o que o Deputado José das Rosas não previa, é que uma bomba, ou melhor, um homem-bomba, explodiria com tanta violência; e que, o molho da pizza azedaria tão depressa. É hora de uma retirada estratégica. Quem sabe, voltar aos Cassinos de “Nova Las Vegas” para, talvez, ganhar uma bolada. Mas, isso dependeria de sorte e não de maracutaia. E o Deputado José das Rosas, voltou para Nova Las Vegas, com a cueca lotada de dólares. A Polícia Federal, bem que tentou segurá-lo, mas não conseguiu. Chegando ao destino, sua primeira providência foi procurar seus eleitores, com a conversa esfarrapada de que havia voltado para conferir se o povo estava sendo bem cuidado, pela administração local. Só, que ele havia esquecido que a antiga população, da antiga Córrego Seco, não vivia mais por lá. Haviam “caçado o rumo”, como ele mesmo disse. O povo de Nova Las Vegas, ricos habitantes, não dependiam do político corrupto, tinham sua própria corrupção. Porém, gostavam de um joguinho, que é o ponto turístico e principal fonte de renda da Cidade. O nobre Deputado pegou seus dólares e foi aos cassinos. Ganhou muitos, perdeu alguns, e enquanto o Congresso pegava fogo, ele se divertia às custas daqueles que um dia depositaram nele, a esperança de uma vida melhor. Mas esta história não termina aqui... ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~     No terceiro momento convidamos  Sueli Navarro, gerente do Espaço Cultural dos Correios para falar sobre seu funcionamento, objetivos e programação. Foi uma bela explanação e ela aproveitou para nos fazer um convite: O Espaço Cultural Correios convida para o primeiro Ciclo de Palestras "100 Rosas para Noel" - Centenário de nascimento do poeta Noel Rosa Vagas Limitadas - Inscrições pelos telefones: (32) 3690-5715/5713

Finalizamos o encontro com a divulgação e sorteio de livros  de integrantes do grupo recentemente publicados e livros doados por Sueli Navarro.

Poemas de Cecy Campos

Livro didático de língua e literatura

de Leila Barbosa e Marisa Timponi e outros

autores.

Conto infantil de Maria Helena Sleutjes

Depois fomos para o MEZCLA, como quase sempre o fazemos  -  nossa casa de cultura latino-americana sob a direção do ator Marco Marinho, com café, música e descontração total.

Foi  assim…

8 Responses to “CAFÉ COM POESIA ( E ARTE)”

  1. Eliana Mora Says:
    March 26th, 2011 at 20:26 Aqui, lendo esta bela postagem, relembro de alguns momentos e penso em como valeu a pena. Sempre vale. E aproveito para mais uma vez dizer como é bom estar com vocês no “Café….”.

    Um beijo a todas e todos, e mais uma vez obrigado por todo o carinho.

    Eliana

  2. Magda Trece Ribeiro Says:
    March 27th, 2011 at 19:30 Pelo jeito o encontro foi incrivel. Incrivel também o que vc escreveu sobre Café com Poesia, eu senti o gosto forte do café e senti o cheiro doce da poesia. Parabéns mulher!!
  3. Cláudia Freire Lima Says:
    March 28th, 2011 at 18:18 Querida Maria Helena, vc e todos ai estão de parabéns, pois estão transformando esse café/poesia/palestra em uma referência para a literatura de Juiz de Fora.
    Gostaria muito de ir para o encontro de Julho, mas infelizmente minhas férias no consultório será sempre nas duas últimas semanas do mês…
    UM beijo doce para vc e todos desse grupo maravilhoso!
  4. lazara Says:
    March 29th, 2011 at 22:58 Realmente foi incrível ! E você Maria Helena torna tudo ainda mais memorável com este belo registro em imagens e palavras. beijos
  5. Helena Says:
    March 30th, 2011 at 00:13 É tanta coisa boa que dá uma vontade enorme de ser “platéia” num momento assim!
    E o poema Café com Poesia é tudo o que penso haver de melhor num bom café: sabor, aroma, doçura… e companhia.
    Aplausos todos!
    Um beijo!
  6. Ana Másala Says:
    March 30th, 2011 at 00:44 Obrigada pelo poema, uma vez mais.Tenho comigo guardado e com a sua letrinha. Obrigada por não desistir quando tudo parece tão difícil, porque esses encontros representam muito para todos nós.
    Mais um momento inesquecível para guardar na memória e enfeitar o coração.
    Beijo grande
    Ana
  7. Ana Miranda Says:
    March 30th, 2011 at 23:14 Você, Maria Helena, é uma pessoa ímpar!!!
    Obrigada por nos proporcionar tanta emoção em tão pouco tempo!!!
    Amo você, menina mulher!!!
  8. Jorge Luiz Alves Says:
    March 31st, 2011 at 23:23 Mais um café, mais um encontro, outra dose generosa de saborosas emoções! Um abraço nos amigos juizforanos e um beijo na amada amiga Maria.

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