ÚLTIMO ENCONTRO DE 2010
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria
ÚLTIMO ENCONTRO DE 2010
Aconteceu no Museu de Arte Murilo Mendes no dia 04 de dezembro de 2010
O palco estava assim, forradinho de recados. Arte do Marcos Marinho para falar conosco sobre o tema do encontro – R E N A S C E R.
Vocês se lembram dos recados?
Não se admire se um dia, um beija flor invadir a porta da sua casa com frases dizendo assim: – Faz tempo que eu não te vejo! - Te mando um monte de beijos. - Ai, que saudade!E mais:
Era uma vez um príncipe albanês que aprendeu a falar português por causa de um poeta que viveu às margens de um rio de águas barrentas que passa por uma cidade no interior do Brasil. E ainda:
Certo dia, já cansado, parou sob uma árvore, deitou, sonhou que estava ali, sob a árvore, descansando e encontrando-se.
Ou então:
Lo que puede el sentimiento no lo hay podido el saber ni el mas puro proceder el mas ancho pensamiento. Todo lo cambia al momento cual mago condescientente nos aleja dulcemente de rencores y violencias. Solo el amor con su ciência nos vuelve tan inocentes.
E tinha mais, muito mais. Uma seleção e tanto de pensamentos!
Querido Grupo e queridos amigos
“Os filósofos explicam
os poetas cantam
os músicos vibram
os cientistas desvendam a marcha inexorável da vida”
e no final estamos apenas
procurando a mesma coisa:
espaço para existir.
É isto o que fazemos aqui, nesta tarde de sol, no encontro do Café com Poesia ( e Arte) que está chegando a sua última reunião do ano.
E o que é o Café com Poesia ( e Arte)?
O Café com Poesia ( e Arte) são vocês que estão aqui conosco e que acreditaram no valor destes encontros.
Então, só tenho a agradecer, agradecer, agradecer.
Este último encontro foi organizado pela nossa querida Ana Másala. Estive às voltas com o lançamento do Formas Fractais e tive que confiar a Ana esta tarefa.
Ana, as flores são para você, merecidamente! Muito obrigada!

Iniciamos com um momento musical. Ana Másala canta para nós acompanhada por Jefferson Moraes do Clube do Choro.
Depois Marcos Marinho interpreta a lenda africana da águia e da galinha apresentada por Leonardo Boff em seu livro – A águia e a galinha.
Aqui estão momentos marcantes desta beleza de performance:
Um pedacinho da história, só para relembrar:
” Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas.
O camponês sorriu e voltou à carga:
- Eu lhe havia dito, ela virou galinha!
- Não, respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma vez. Amanhã a farei voar…
A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.
Nesse momento ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergue-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez mais para o alto. Voou até confundir-se com o azul do firmamento”
O ator Marcos Marinho recebendo da Ana uma lembrança do Grupo. Nossa lembrança é sempre uma caneca, saibam todos.
Aplausos, muitos aplausos para você Marcos Marinho!
Prosseguindo, contamos com a talentosa Andrea Lira acompanhada por
Guilherme Guimarães ao violão e Jefferson Moraes no pandeiro, vejam:
Abaixo, Lázara Papandrea ao lado de Rogério Tadeu fotografando o encontro.
Lembramos a todos que o Grupo Café com Poesia ( e Arte) está hoje no TRIBUNA DE MINAS com foto de alguns integrantes.
Prosseguimos com a apresentação de textos sobre o tema RENASCER apresentados pelos integrantes.
Rogério Tadeu nos apresentou seu poema – Dias nublados
Num doente estado de loucura encaderno os planetas numa aventura egoísta que chega a desalinhar as esferas. Assim semeio estrelas perfeitas em estações impróprias pranteando as virtudes cegas de ser forte sem ser luta. Mexo até sem perceber com a vida dos girassóis e das borboletas. Coloco no corpo de uma semente a idéia de ser livre e a crise existencial de uma raiz. Porém quando vejo o sol quero num de repente arrumar tudo. Chego a invejar os derrotados mais que os vencedores porque nunca chegaram no limite de suas forças nunca precisaram desistir.
Nosso abraço ao Rogério que está deixando Juiz de Fora para ir morar na Região dos Lagos. Boa sorte para ele neste novo recomeço.
Ana Miranda, que também ganhou flores por ter secretariado tão bem o Grupo durante 2010, apresentou o poema de sua filha, Anna Caroline - Fim e começo:
O que seria mais angustiante O momento do fim Ou o estalar de um começo. O que trará mais medo O anúncio de que irá acabar Ou o aviso de que começarei sozinha. E como é difícil Lidar com minha insegurança Quando não sei se diluo o fim Ou se alimento meu começo. Só sei que em um ano Queira eu ou não Minha vida verá um fim Para esboçar meu Recomeço.
Aqui, Eliana Mora nos apresentando seu poema – A criação de um novo eu.
Se não posso acalentar o teu sorriso se não posso tornar teu meu coração a massa de moldar de que sou feita vai aos poucos bem aos poucos se firmando e acaba por ficar como a do pão maleável, saborosa, forte e ebela para quem sabe enxergar por dentro dela e tem ainda o poder de imaginar o que é parte crucial da formação de um mundo de uma vida do milagre da transformação da anistia que se dá ao próprio corpo da fome, da beleza e da canção. Isso tudo para estar neste planeta aprender alguma coisa com o passado não sentir que até precisa andar de lado para ser despercebido por alguém. Sofrer na carne levar socos e ainda se salvar na verdade [pense bem] não é de fato somente para o trigo para nós que já nascemos sem saber nosso destino ser soado quando a busca é por um gesto de carinho pode ser mesmo a lição que nos completa. Pode ser mais: a marca que a nós faltava de uma vida, de uma estrada de um caminho.Abaixo Vera Ribeiro Guedes, com seu poema – De volta à esperança
Sonhos a procura da realidade correm contra o tempo deixando cair ao vento, planos de felicidade. Palavras udas, absurdas, em um coração de criança, enfadado, maltratado, cheio de esperança… Que a cada ano se renova, como se fosse parar o tempo, transformar os sentimentos, colocar o amor a prova. E, como um pássaro aprisionado, sem encontrar uma saída, roga a Deus que lhe proteja, não o deixe perder a vida. Saúde, paz, prosperidade, dinheiro pra se lambuzar mas a tal felicidade não dá aparaalcançar. É Natal! Um menino nasceu pobre, para demonstrar ao mundo, que muito maior que ser nobre é ter um amor profundo.Alguns outros integrantes também se apresentaram,
mas estou sem seus textos:
Angelina Nardy da Academia Juizforana de Letras.
Lázara Papandrea do Recanto das Letras.
Cecy Campos da Academia Juizforana de Letras.
Abaixo Marisa Timponi apresentando o Poema de Natal do modernista Jorge de Lima ( lindo demais!):
Ó Meu Jesus, quando você ficar assim maiorzinho venha para darmos um passeio que eu também gosto das crianças. Iremos ver as feras mansas que há no jardim zoológico. E em qualquer dia feriado iremos, então, por exemplo, ver o Cristo Rei Corcovado. E quem passar vendo o menino há de dizer: ali vai o filho de Nossa Senhora da Conceição! - Aquele menino que vai ali ( diversos homens logo dirão) sabe mais coisas que todos nós! - Bom dia, Jesus! – dirá uma voz. E outras vozes cochicharão: - É o belo menino que está no livro da minha primeira comunhão! - Como está forte! – Nada mudou! - Que boa saúde! Que boas cores! ( Dirão adiante outros senhores). Mas outra gente de aspecto vário há de dizer ao ver você: - É o menino do carpinteiro! E quando voltarmos pra casa, à noite, e forem pra o vício os pecadores, eles sem dúvida me convidarão. Eu hei de inventar pretextos sutis pra você me deixar sozinho ir. Menino Jesus, miserere nobis, segure com força a minha mão.
E Leila Barbosa, nos trouxe Murilo Mendes. Eis aqui o Natal de Murilo (quase inteiro):
Meu outro eu angustaiado desloca o curso dos astros, atravessa
[ os espaços de fogo e toca a orla do manto divino.
O ser dos seres envia seu Filho para mim, para
os outros que O
[ pedem e para os que O esquecem.
Uma criança dançando segura uma esfera azul com a cruz:
Vêm adorá-la brancos, pretos, portugueses, turcos, alemãs
[russos, chineses, banhistas, beatas, cachorros e
banda de música.
A presença da criança transmite aos homens uma paz inefável…
Imagens do encontro:

Foi assim…
























