” Alivia a minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha,
faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade
já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer,
que a entrega de si mesmo não significa a morte, faze com que eu sinta
uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais,
porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta,
faze com que me lembre de que também não há explicação porque um
filho quer o beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto
o beijo é perfeito, faze com que eu receba o mundo sem receio, pois
para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também
incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do
mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto
quisermos entendê-la, abençoa-me para eu viva com alegria o pão que eu como,
o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma, pois senão
não poderei sentir que Deus me amou, faze com que eu perca o pudor de
desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém.”~
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A seguir tivemos mais um momento musical e desta vez,
Ana Másala cantou para o grupo
- O que tinha de ser – vejam:
ESTRANHA SIMBIOSE
Layara
… Eu não queria a palavra… Mas, mesmo assim, ela continuava ali, incansável, esperando uma brecha. Atravessava a madrugada encostada a um tênue silêncio espreitando a hora e a vez de “ser”. Ela não se sabia sem “ser”. Eu não me sabia sem ela. Todavia, encontrava-me em tempo de reclusão, de não me saber mesmo, pelo menos não da forma que eu sempre insistira. Ela me desesperava frente à minha mórbida e improvável compaixão e de palavra fazia-se quase grito…
Eu me fazia quase surda. Quase, porque era impossível ignorá-la completamente.Havia resolvido, (mal resolvido, é verdade) a procurar a alegria longe dela, quem sabe na chuva ou na discreta carícia de um vento morno, isso antes de descobrir que nem a chuva , nem o vento eram constantes, e, àquela altura da vida, eu compreendia, talvez errado, mas compreendia que ser feliz e ter constância eram condições inseparáveis.
Acredito que me encontrava enjoada de ser pega desprevenida por uma palavra que me levava a outras e outras e mais outras como num cordão que se estica, se estica, até não ter mais fim. Era a primeira vez que eu resolvera me apartar, só não imaginei que ela ficasse ali precisada de mim enquanto eu fingia que me podia sem ela. Doía. Entretanto, o esforço de não a querer era maior que a dor: era precisão.
Pensei em lhe ofertar uma miosótica flor e pedir que esperasse. Porém, naquele instante eu não tinha nenhuma vontade de desencandear jatos e mais jatos de pensamentos, que me levariam inevitavelmente a ela e preferi não iludi-la com um ato que nem era da minha natureza e a minha natureza era uma natureza descabida.
Talvez ,se tivesse fome, pudesse degustá-la, quem sabe assim ela se aquietasse meio fada dentro de mim. No vasto dentro que eu não me sabia, no desconhecido, e não mais causasse o desconforto da exigência na incansável tentativa de ser.
Andava eu exausta da nossa estranha simbiótica relação. Ela, meio que sem modos, me pegava em qualquer lugar e exigia mais do eu podia . Queria o âmago. Ia às vísceras de mim e bicava tudo como um abutre faminto. Depois só desolação. Vazio e mais vazio. Um longo período de lassidão. Um desgovernamento sem fim… e era o que me matava: esse largo abandono, esse profundo desinteresse meu, pelo entorno de mim. Ela me sugava e era livre. Eu, sangrava…
No início sei que me tomava pelo impulso porque me sabia jovem.Com o passar dos anos foi mudando a estratégia e agora, como me conhecia vulnerável pelo cansaço, não arredava pé.
Só que havia em mim uma discreta metamorfose, uma mudança da qual ela ainda não se dera conta, Quando compreendesse, certamente mudaria a estratégia. Assim, o instante era a minha única chance. Adormeci constatando a sua não desistência. A guerra era silenciosa e árdua…
Ela não desconfiava da busca de um tempo-lugar onde ela ainda não “era” e eu já me constituía. E este era o princípio-possibilidade que eu vinha perseguindo. Precisava me conhecer sem interferências, no primitivo,na ante-vida, lá onde nasce a flor que alonga o mundo sem saber que o mundo não é alongável, para que depois, e só depois, pudéssemos ser equilíbrio.
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Jorge Luiz da Silva Alves, tirou este belo texto da cartola, depois de insistentes convites:
Mesotrinário( ou meio de mês)
Jorge Luiz da Silva Alves
Perdido no vazio dos dias que me restam até que as bênçãos da liquidez cristianizem meu pagânico penar, divirto-me com Clarice: esta, julgando-se especialista na difícil arte de aniquilar legiões de baratas e, por tabela, as deambulações de Kafka; e eu, achando-me piloto da RAF no combate a impiedosos Junkers Aediis, em rasantes soturnos, ao som de Wagner no canal de vídeo da Sky. Abençôo as mestras – a de hoje, pelo presente em forma de dissertação; e a de sempre, por mostrar possibilidades dentro de estépicos momentos, vida dentro de vida, morte aflorando das mortes, maravilhas inauditas no esmiuçar do óbvio.
Emoções mesotrinárias vêm-nos, apenas, sob cebolas cortadas…
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Cecy apresentou também um dos seus poemas:
SUPERAÇÃO
Cecy Barbosa Campos
Não chorei na sua partida.
Como chorar se você só me ensinou a rir?
Como chorar se aprendi, com você,
a não sofrer por aquilo
que não posso resolver?
Como chorar se as suas lembranças
vêm cheias de alegria?
Como chorar se o nosso reencontro
será comemorado com festa, em grande gala,
depois da separação transitória?
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Eliana Mora, apresentou seu poema:
QUASE FOME DE VIDA E DE FINAL
Eliana Mora
Medito.
palavras que inundam minha mente
vestem de flor o meu sudário
[e canto
ainda que o desejo de final
rasgue por inteiro os sonhos de sonhar
lanhe qual verdade minha pele branca
traga de novo desejos
que não vou concretizar
medito;
e as palavras vão crescendo de sentido
navalhas ocas a podar destino para mim que canso,
canso tanto de tentar
os céus desses meus dias são desertos de lírios e luar
a fome continua; e minhas sedes
[uns poucos dias meus a vislumbrar
arrastam-se quase em paralelo
às fontes
como para estar ali : sempre um oásis
a guardar.
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Ainda tivemos a participação especial de Maria Helena
e Wanderley Luiz de Oliveira apresentando os seguintes poemas:
ENCONTRO NA GLÓRIA
Wanderley Luiz de Oliveira
Inquietou-se minh’alma
ao vê-la a leves passos,
caminhar no pátio
daquele bucólico Santuário
no outeiro da Glória.
Impressionou-me, sobremaneira,
sua oriental beleza,
seu expressivo olhar,
sua ímpar sensibilidade.
Cabelos negros,
exótico rosto,
nobre alma de artista.
Iluminou com seu brilho,
com a sua presença,
Príncipes e Princesas
E, também, o meu coração.
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A NATUREZA CHORA
Maria Helena de Oliveira
A natureza chora,
com toda sua sensibilidade,
como uma criança
perdida, faminta.
A natureza chora,
com o coração ferido,
sofrida pelo abandono
do homem insensível.
A natureza chora,
como mãe que é,
pela frieza dos filhos
que não zelam por ela.
A natureza chora,
pela mão brutal do homem
que, sem nenhum respeito, a transforma
numa imensa selva de pedras.
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Nosso querido Robson declamou um emocionante poema de Patativa do Assaré
e na foto abaixo, vemos Ana Miranda, Layara e Robson.
Na seguinte, Marisa Timponi com uma amiga, Cecy e Wanderley de Oiveira.
Para finalizar, Guilherme nos brindou com um solo de viola. Coisa mais linda!
E FICAMOS AQUI ATÉ O PRÓXIMO ENCONTRO, PROGRAMADO PARA O DIA 04 DE DEZEMBRO, ONDE SERÃO EXIBIDAS PERFORMANCES DA PRODUÇÃO ARTÍSTICA E LITERÁRIA DOS INTEGRANTES DO GRUPO.