O ENCONTRO DE SETEMBRO/2010

Museu Murilo mendes

Este último encontro aconteceu no MAMM – Museu de Arte Murilo Mendes pertencente a Universidade Federal de Juiz de Fora e teve como motivação principal uma homenagem ao poeta Murilo Mendes.

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Murilo nasceu em Juiz de Fora, descreve sua infância e sua juventude no livro autobiográfico A IDADE DO SERROTE, trabalhou em Santos Dummond como professor de francês. Depois viveu  no Rio de Janeiro exercendo várias atividades até se mudar para Roma, e lecionar cultura brasileira na Universidade de Roma. Morou em Roma mais de 20 anos.

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Nosso objetivo era que cada participante escolhesse um poema ou texto de Murilo Mendes para apresentá-lo aos presentes e pudéssemos falar a respeito.

E assim foi feito:

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Ana Miranda abriu a rodada com o poema

AQUARELA  de Murilo Mendes:

Mulheres sólidas passeiam no jardim molhado de chuva,

o mundo parece que nasceu agora,

mulheres grandes, de coxas largas, de ancas largas,

talhadas para se unirem a homens fortes.

A montanha lavada inaugura toaletes novas

pra namorar o sol, garotos jogam bola.

A baía arfa, esperando repórteres…

Homens distraídos atropelam automóveis,

acácias enfiam chalés pensativos pra dentro das ruas,

meninas de seios estourando esperam o namorado na janela,

estão vestidas só com um blusa, cabelos lustrosos

saídos do banho e pensam longamente na forma

do vestido de noiva: que pena não ter decote!

Arrastarão solenemente a cauda do vestido

até a alcova toda azul, que finura!

A noite grande encherá o espaço

e os corpos decotados se multiplicarão em outros.

Note como o poema é ousado não só nas

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Regina Machado leu o poema

SOLIDARIEDADE   de Murilo Mendes

Sou ligado pela herança do espirito e do sangue
Ao martir, ao assassino, ao anarquista.
Sou ligado
Aos casais na terra e no ar,
Ao vendeiro da esquina,
Ao padre, ao mendigo,à mulher da vida,
Ao mecânico, ao poeta, ao soldado,
Ao santo e ao demônio,
Construidos à minha imagem e semelhança.

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Eliana Mora, nos trouxe  Murilo Mendes, aos 24 anos, na publicação Antropofagia e nos brindou com uma excelente performance na apresentação do texto MAPA:

Me colaram no tempo, me puseram
uma alma viva e um corpo desconjuntado. Estou
limitado ao norte pelos sentidos, ao sul pelo medo,
a leste pelo Apóstolo São Paulo, a oeste pela minha educsação.

Me vejo numa nebulosa, rodando sou um fluído,
depois chego à consciência da terra, ando como os outros,
me pregaram numa cruz, numa única vida.
Colégio. Indignado, me chamam pelo número, detesto a hierarquia.
Me puseram o rótulo de homem, vou rindo, vou andando, aos solavancos.
Danço. Rio e choro, estou aqui, estou ali, desarticulado,
gosto de todos, não gosto de ninguém, batalho com os espíritos do ar,
alguém da terra me faz sinais, não sei mais o que é o bem
nem o mal.
Minha cabeça voou acima da baía, estou suspenso, angustiado, no éter,
tonto de vidas, de cheiros, de movimentos, de pensamento,
não acredito em nenhuma técnica.
Estou com os meus antepassados, me balanço em arenas espanholas,
é por isso que saio às vezes pra rua combatendo personagens imaginários,
depois estou com os meus tios doidos, às gargalhadas,
na fazenda do interior, olhando os girassóis do jardim
Estou no outro lado do mundo, daqui a cem anos, levantando populações…
Me desespero porque não posso estar presente a todos os atos da vida.
Onde esconder minha cara? O mundo samba na minha cabeça.
Triângulos, estrelas, noite, mulheres andando,
presságios brotando no ar, diversos pesos e movimentos me chamam a atenção
o mundo vai mudar a cara,
a morte revelará o sentido verdadeiro das coisas.
Andarei no ar.
Estarei em todos os nascimentos e em todas as agonias,
me aninharei nos recantos do corpo da noiva,
na cabeça dos artistas doentes, dos revolucionários.
Tudo transparecerá:
vulcões de ódio, explosões de amor, outras caras aparecerão na terra,
o vento que vem da eternidade suspenderá os passos
dançarei na luz dos relâmpagos, beijarei sete mulheres
vibrarei nos cangerês do mar, abraçarei as almas no ar
me insinuarei nos quatro cantos do mundo.

Almas desesperadas eu vos amo. Almas insatisfeitas, ardentes.
Detesto os que se tapeiam,
os que brincam de cabra-cega com a vida, os homens “práticos”. ..

Viva São Francisco e vários suicidas e amantes suicidas,
os soldados que perderam a batalha, as mães bem mães,
as fêmeas bem fêmeas, os doidos bem doidos.
Vivam os transfigurados, ou porque eram perfeitos ou porque jejuavam muito.
viva eu, que inauguro no mundo o estado de bagunça transcendente.
Sou a presa do homem que fui há vinte anos passados,
dos amores raros que tive,
vida de planos ardentes, desertos vibrando sob os dedos do amor,
tudo é ritmo do cérebro do poeta. Não me inscrevo em nenhuma teoria,
estou no ar,
na alma dos criminosos, dos amantes desesperados,
no meu quarto modesto da praia de Botafogo,
no pensamento dos homens que movem o mundo,
nem triste nem alegre, chama com dois olhos andando,
sempre em transformação.


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Ana Másala  nos trouxe o POEMA DA TARDE de Murilo Mendes,

vejam:



A tarde move-se entre os galhos das minhas mãos.
Uma estrela aparece no fim do meu sangue,
Minha nuca recebeu o hálito fino de uma rosa branca.
Todas as formas servem-se mutuamente,
Umas em pé, outras se ajoelhando, outras sentadas,
Regando o coração e a cabeça do homem:

E dentre os primeiros véus surge Maria da Saudade
Que, sem querer, canta.

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( Estamos sem o texto lido pela Natália e assim que ela nos enviar estaremos postando aqui)

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Leila Barbosa e Marisa Timponi  apresentando o tema : Murilo Mendes e Ismael Nery: reflexos – título do livro de suas autorias indicado para o prêmio Jabuti.  Marisa e Leila falaram da bela amizade existente entre o poeta e o ser multifacetado que era Ismael Nery. Estudiosas de Murilo Mendes trouxeram para o grupo informações muito interessantes sobre a vida e a obra do escritor.

Abaixo o livro de Leila e Marisa:

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Um álbum de arte ricamente ilustrado, vejam uma pequena amostra abaixo:

murilo_mendes6Murilo Mendes retratado por Ismael Nery

Namorados de Ismael nery A pintura Namorados de Ismael Nery

Abaixo os dois amigos: Murilo e Ismael

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Ispirada na obra de Ismael Nery, Cris Guadelupe criou algumas  imagens:

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{ Cris, acrescente explicações e títulos das suas imagens para nós, ok?}

Encerrando esta parte, da homenagem a Murilo Mendes, os novos integrantes  do Café com Poesia ( e Arte) foram apresentados nesta tarde : Hernany Tafuri,  Rogério Tadeu e Eliana Mora.

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(Hernany Tafuri)

cafe com poesia set27( Rogério Tadeu)

Depois fomos tomar café de fato no MEZCLA, ao lado do MAMM

Casa de Cultura Latino Americana comandada por Marcos Marinho.

Descontração total!!

Conosco estava  Jacinta, poeta da Casa das Rosas em São Paulo e esperávamos Alessandra Espínola , poeta do Recanto das Letras, que estava chegando do Rio de Janeiro.

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Fotografando gentilmente nosso encontro, como sempre,

Cris Guadelupe.