CHÁ COM POESIA NO CORREDOR CULTURAL DA FUNALFA

café com poesia

O GRUPO CAFÉ COM POESIA ( E ARTE) foi convidado  pela FUNALFA para apresentar o CHÁ COM POESIA, evento que faz parte do Corredor Cultural que está acontecendo pela segunda vez  em Juiz de Fora.

Estamos muito felizes  com o convite pois este  é um evento diferente, que tem muito a ver com  a filosofia do nosso grupo,  uma forma de tornar a poesia mais  acessível, trazendo-a para perto das pessoas.

No dia 29  de maio, às 14h, a FUNALFA leva a poesia para a Praça, em frente ao Teatro Central, com mesas ao ar livre, um cardápio de primeira ( poetas de Juiz de Fora e do mundo), chás e  biscoitos; muita música,  para vivermos momentos inesquecíveis.

Você, integrante do café com Poesia ( e Arte ), é muito importante nesta hora!!  Vamos  colorir a cidade com a nossa emoção poética!

Nas palavras da Ana Másala:

- Café com poesia somos nós.

- Café com Poesia é um gesto íntimo reunindo nossas partes; viagem de companheiros na tentativa de tocar com suas asas um outro tempo. (Um outro tempo…)

Até lá!!!

O SEGUNDO ENCONTRO DE 2010

O   segundo encontro de 2010

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Nossos sorrisos refletiam nossa alegria.  Estávamos juntos de novo para outro Café com Poesia ( e Arte) e começamos com a  Denise Patissière declamando um poema em homenagem as mamães:

MEU TRIBUTO

( Melchisedec Garcia de Souza)

A você, mão jovem, mãe velhinha!

Mãe rica ou pobrezinha.

A você, mãe solteira, mãe sozinha,

mãe de um ou mãe de muitos,

mãe do filho que não veio,

mãe do filho que se foi,

mãe do filho que virá.

A você, mãe preta, mãe branquinha,

mãe corajosa, mãe quietinha,

mãe tranquila, mãe em tormento,

mãe que educa seus filhos

todos os dias, a todo momento.

Mãe que às vezes ri, às vezes chora…

Mãe que às vezes fala e às vezes cala…

A você,  mãe tão querida.

A você,  mãe desprezada.

A você,  mãe esquecida.

A você, que tanto amamos,

por cuja falta choramos,

no aconchego do ninho.

A você,  reflexo do amor divino,

este poema, MEU TRIBUTO,

com muito amor e carinho.

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[ da esquerda para a direita:  Trajano, Natália e Denise,

novos integrantes do Grupo apresentados pela colega Vera Guedes]

Depois, foi a vez da Angela Nabuco com o belo texto

és vida e eu não sabia

(enquanto lia hilda hilst)

Engoli as palavras que desceram arranhando, como se gritassem o insulto dentro em mim.Da língua, o gosto do sangue estranhou na minha boca, sabor do meu próprio veneno. Bebi dele, e agora o vejo impresso nessas letras frias. Estranheza e ímã, olhos grudados no papel.Como era fria a noite! Nós, duas estranhas, estranhamente sentadas à mesa. O colarinho branco, leve, boiava sobre o ouro do malte. As gotas escorriam do copo suado, desenhando trilhas verticais para morrer no círculo de papel. No burburinho do bar, pontuamos algumas identidades, perfurando discretamente a crosta de que somos feitas. Ligeiras, tímidas, austeras, cuidadosas com as palavras.Era estranha ao corpo a tua boca; autônoma, rubra, contrastando com o branco dos dentes. Falavas de coisas que se esvaíam, sem nexo, pois só a boca eu via. E eu a desejei.Deixamos o bar para nos enfiar pela noite, a garoa pousando de leve, deixando-a mais funda, mais completamente noite. Abraçadas, tu e eu, íntimas agora, desaparecíamos no escuro denso que se fazia entre a luz dos postes. Halos se formavam ao redor das luzes, emolduradas de neblina. Tu e eu – risos- desarmadas, colegiais, espalhando a água das poças nas pisadas.Chamas-te Vida? És Vida e eu não sabia? Como saber-te tão de pronto, no susto? Como adivinhar-te em tão breves e cortantes momentos? És Vida, boca escarlate e sedutora?Mas como desejar-te tanto, se de ti eu mal conheço? Se brincas de esconde-esconde com teus mistérios? Como viver-te sem perder a mim, no carmim da tua boca? Sem compreender-te, diáfana, fantasma? Como perder-te, se nem a tive e me escapas todo o tempo, imponderável? Se te esvais enquanto se expele o álcool que bebemos?Que eu pelo menos possa viver na alegria tua, ou no silêncio de quando escondes, brancos, os dentes, cerrada a boca de encantos. E que aquele, que sem mim há de viver chorando, possa conhecer a tua boca rubra, e nela sucumbir, como eu, em inferno e paraíso. Que eu te conheça enquanto se faz tempo.

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[ Angela Nabuco]

Nesta altura, já  estávamos em completo clima poético.

Conosco, o pintor Henricus Kamp e sua esposa Ana, Adriana Sleutjes,  Sofia Ortolani, Eloir Felicio Dutra e Alex Fernando Schimitz, nossos  ilustres convidados.

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Henricus Kamp

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Alex Schmitz entre Ana Másala e Samanta Cruz, e Angela Nabuco.

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[Eloir Felício Dutra]

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[ Adriana Sleutjes]

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Sofia Ortolani, Adriana Sleutjes, Trajano Amaral, Natália Possas

e Denise Patissière.

Estava chegando a hora do ponto alto do encontro, a palestra da professoras Leila Barbosa e Marisa Timponi. Todos aguardavam enquanto elas apanhavam o material, abriam o lep-top e se organizavam para começar.

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[ Marisa Timponi e Leila Barbosa]

Entre um café e outro, muita água e sorvete aprendemos  a  ver Juiz de Fora com outros olhos.

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[ Da esquerda para a direita: Glória Barroso, Vera Guedes, Maria Helena Sleutjes, Denise Patissière, Angela  Nabuco e Ana Kamp]

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(((Mas depois eu conto o resto pois quero incluir a palestra com os slides e depois ….e depois…acompanhem!!))))

Continuando… (ainda sem as imagens da palestra pois a Cris terá que transformar os  slides em jpg.):

A VOCAÇÃO DE JUIZ DE FORA

Leila Barbosa

e Marisa Timponi

Pesquisadoras da História Literária de Juiz de Fora

Clique nas imagens para ampliar

Slide 1- Título

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Slide 2 – imagens

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slide 3 – Epígrafe

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Paulino de Oliveira, o cronista da cidade, considerado por Cosete de Alencar como “o mais credenciado historiador local, sobretudo porque, além da fidelidade documentada do texto de seu trabalho, enriquece-o com uma correção vocabular muito rara hoje em dia, até mesmo entre escritores profissionais de renome“, foi escolhido por nós para epigrafar a vocação de Juiz de Fora, e revela as mudanças de nome por que a cidade passou.

A cidade de Juiz de Fora localiza-se, geograficamente, no meio das principais capitais brasileiras economicamente ricas e politicamente poderosas. Por este motivo, os investimentos nas diversas áreas (tecnológicas, de saúde, etc) das metrópoles são volumosos, possibilitando-lhes o desenvolvimento e as numerosas pesquisas de ponta. Já Juiz de Fora, para poder competir neste setor com as grandes cidades que a cercam, necessitaria de um apoio efetivo de instituições financiadoras para ampliação de seu trabalho de pesquisa, assim como de empresas e indústrias regionais.

Por outro lado, Juiz de Fora é uma cidade que, apesar de sua descaracterização – não totalmente mineira, por absorver influência carioca, não totalmente carioca, por guardar princípios mineiros – sempre primou por sua tendência cultural marcante, por sua sedução pelas humanidades. Não é à toa que Artur Azevedo chamou-a de “Atenas Mineira”.

Na cidade, proliferam conservatórios de música, grupos de teatro, cinemas, academias de balé e de letras, artistas plásticos, grupos de poesia (e arte), entidades voltadas para a produção de cultura. Juiz de Fora é conhecida, fora do âmbito de seus domínios, por sua efervescência cultural. A Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura, a mais perfeita entre as leis que patrocinam as produções culturais, vem dando maior visibilidade à cultura, permitindo que ultrapasse fronteiras, ilumine espaços brasileiros e estrangeiros.

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Maurício Hugo Gama de Menezes, cirurgião-dentista, produziu grande número de crônicas, com circulação restrita, versando sobre ficção e coisas do cotidiano. Em A briga na padaria, publicado em 1997, título que, segundo o autor, foi inspirado em pequena história de ficção acontecida, envolvendo pães e pessoas, Maurício remete ao carnaval, aos logradouros antigos e novos da cidade, à história dos imigrantes, aos músicos populares. Seu texto é irônico, leve, ágil, uma nova forma de escrever memórias, uma vez que, apesar de as descrições serem muito detalhadas e ricas, o texto movimenta-se dinamicamente entre os casos e as pessoas. No Epílogo de A briga na padaria, publicado em 1997, esclarece:

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José Alberto Pinho Neves, português de nascença, mas juizforano de coração, sempre foi nosso parceiro na luta pela cultura de Juiz de Fora. Foi conosco um dos que ajudaram a fundar o Centro de Estudos Murilo Mendes, foi Superintendente da Funalfa e, hoje é Pró-Reitor de Cultura e acredita também na vocação de Juiz de Fora:

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Em suas crônicas, como em “Identidade e Memória”, Cristina Musse faz um perfil cultural da cidade, ao mesmo tempo em que a sintoniza com outros espaços do mundo, apesar de reconhecer-lhe a identidade própria, recortando-a ou roteirizando-a, trazendo-a dinâmica, atual e conectada com o mapa-múndi que se altera a cada dia com as mudanças arquitetônicas:

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Marcos Neves, diretor executivo da Tribuna de Minas, participou da divulgação da memória de Juiz de Fora, fazendo um recorte de sua cultura:

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LITERATURA DE JF – EM BUSCA DE IDENTIDADE

A literatura de Juiz de Fora, entre outros recortes, pode definir-se pela figuração da cidade: um microcosmo que projeta o urbano para o macrocosmo. Os textos de seus escritores resgatam Juiz de Fora não apenas como um cenário, mas ainda como uma personagem que atua em muitas narrativas, ou como presença marcante em muitos poemas, desenhando uma cartografia urbana, compondo mesmo um verdadeiro mosaico.

Nós chegamos a essa conclusão quando, ao elaborar minha tese de doutorado, cuja premissa era apresentar a literatura de Juiz de Fora como sem uma possível caracterização, pois tal qual a cidade, conhecida como “Cidade Mictório”, onde os passageiros apenas paravam para fazer o seu lanche, pensávamos também ser a literatura sem característica. Qual não foi nossa surpresa ao verificar que a grande maioria (quase a totalidade) de seus autores escreviam sobre suas origens, seus contatos com a terra-mãe. Não é, pois, à-toa que Pedro Nava, o maior memorialista em língua portuguesa, tenha nascido aqui.

Por esse motivo, podemos acompanhar o crescimento da cidade, de sua gente, de sua educação e de sua cultura pelas letras juizforanas.

Slide 9 – Museu Mariano Procópio

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E Juiz de Fora tem necessidade de mostrar o seu “dentro”. Receptiva:

Juiz de fora é por inteiro / Lugar onde o ser humano / Mesmo sendo forasteiro / Se sente juizforano (Heribaldo Barroso), a cidade acolhe, abriga e assimila o que vem de “fora”, e se esquece de olhar a si mesma, valorizando-se. O aforismo popular “Santo de casa não faz milagre” parece ter nascido aqui, pois o juizforano acredita ser o “de fora” mais bonito, melhor, mais avançado. Por outro lado, resultante da valoração do “de fora”, o juizforano volta-se, como um contrapeso, para o “de dentro”, verificando que seus conterrâneos, praticamente todos eles, só se tornam famosos quando ultrapassam suas fronteiras.

Slide 10 – Biblioteca MM – Mascarenhas

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Nosso objetivo, gravado no projeto de pesquisa “História literária de Juiz de Fora”, tem sido retomar a produção literária de nossa terra, trabalho já realizado, num enfoque biográfico, por Dormevilly Nóbrega, Almir de Oliveira, Paulino de Oliveira, José Procópio Teixeira Filho, Jair Lessa, Albino Esteves e Oscar Vidal Barbosa Lage, Walter Fonseca, além de colecionadores de textos da literatura local.

Slide 11 – MAMM

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E valorizar a cultura de Juiz de Fora é também reconhecer seus emblemas: suas praças, seu rio Paraibuna, os casarões de sua Avenida Rio Branco, a brisa das 3 horas da tarde, sua Rua Halfeld, seus antigos bondes e o Morro do Imperador, da Liberdade, hoje, do Cristo – presente em nós, em nosso dia-a-dia. E emblemas são composições alegóricas baseadas na união dos elementos naturais ou artificiais que possuem sentido simbólico.

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MORRO DO CRISTO – NOSSO CRISTO REDENTOR

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Saudemos, pois, nosso Cristo pelas palavras dos poetas da terra, começando pelo “Trovador de Vargem Grande”, Belmiro Braga (07/01/1872-31/05/1937). O poeta saúda o símbolo receptivo da cidade: o Cristo de braços abertos, quando ele foi trazido da França para Juiz de Fora, como nos conta Paulino de Oliveira, em História de Juiz de Fora. 2.ed. 1966, à p.204.:

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Edmundo Lys (Antônio Gabriel de Barros Vale) (21/03/1899 – 12/06/1982), natural de Juiz de Fora, foi jornalista, professor, escritor e em um poema, síntese da cidade, personifica-a como a grande fábrica em que operários – cidadãos juizforanos – prostram-se ante a imagem do Cristo, que desejam os proteja:

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Natural de Sossego, MG, a escritora Geralda Ferreira Marques Armond (21/07/1913 – 10/08/1980), fixou-se em Juiz de Fora, diplomando-se como normalista pela Escola Normal Oficial. No centenário da terra que a adotou, transforma a cidade em uma pessoa que, como presença encorpada no poema, narra epicamente seus feitos, seus heróis, na medida em que lê seu lócus urbano, seus lugares simbólicos:

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A escritora Creusa Cavalcanti França (28/05/1938), natural de Piraju, estado de São Paulo, radicou-se em Juiz de Fora, desde os 13 anos. Fundou e preside o Centro de Estudos Literários, entidade de que é mantenedora e através da qual promove eventos culturais, conferências, sempre contribuindo para a cultura da cidade. Seu olhar do alto, comovido e perscrutador, flagra os mínimos detalhes da urbe que ama e admira:

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Natural de Juiz de Fora, onde estudou, formando-se em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Maria Thereza Noronha (15/10/1939), em seu poema “Punhal”, canta sua canção do exílio, revelando a tristeza por ter deixado todos os seus “monumentos”:

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O poeta Paulo de Tarso Andrade (12/12/1947), nascido em Juiz de Fora, onde estudou nos colégios Academia de Comércio e Granbery e fez até o 6º período da Faculdade de Direito da UFJF, revela uma Juiz de Fora que atravessa o tempo e o espaço, enredando e misturando sua história com suas lembranças infantis:

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O poeta Iacyr Anderson Freitas (22/09/1963) é natural de Patrocínio do Muriaé, Minas Gerais. Formou-se em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Juiz de Fora (cidade onde reside desde 1978), e é mestre em Teoria da Literatura. Descreve exemplarmente o cenário urbano, imiscuindo-se nos marcos dessa terra:

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HALFELD: RUA CON-VER-GENTE

A rua Halfeld é centro do mosaico mandalar que compõe a cidade de Juiz de Fora. Carregada do traço forte da cultura, passa ser não só cenário, mas a grande personagem de muitas narrativas ou presença encorpada em muitos poemas. Rua, do latim ruga, é o sulco, o espaço de passagem, por onde se anda e passeia entre as casas e as pessoas. Na verdade, a rua avança para além desse primeiro sentido, pois, sendo marca pontual da pólis, é local de encontros e desencontros. Como diz João do Rio, “a rua tem alma”.

Assim é que a Halfeld mereceu a atenção de mais de 30 das notáveis letras juizforanas: desde Antônio Bernardes Fraga, Edmundo Lys, Murilo Mendes, Bié até Edimilson de Almeida Pereira. Outro que não pôde esquecer a rua de sua mocidade foi Jacob Goldberg que fez em seu livro Rua Halfel, Ostroviec, que ser lançado aqui no dia 11 de maio, a ligação de suas ancestralidades: juizforana e polonesa! Algumas homenagens, ladrilhando com palavras a rua, estão aqui reproduzidas.

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Antônio Bernardes Fraga, nascido em 1875, flâneur baudelairiano, foi colaborador de vários jornais, entre os quais O Pharol, cultivou o gênero crônica, usa ironia para descrever os fatos cotidianos  e passeia seu olhar sobre a rua que, como nas grandes metrópoles, tem a capacidade de metamorfosear as pessoas:

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Gilberto de Alencar, de 1886, revela o outro lado da história oficial no que tange à Revolução de 30, especialmente em suas repercussões na cidade de Juiz de Fora:

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Nosso grande poeta Murilo Mendes dedica um capítulo de seu livro de memórias A idade do serrote a esta rua emblemática, e, numa primorosa descrição poética, destaca as pessoas, especialmente aquelas mais folclóricas que a percorrem diariamente:

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João Dias Ibiapina, cearense, veio para Juiz de Fora em 1955, é advogado, cronista,  foi diretor de teatro. Retrata, com fidelidade, o escoar da vida em sua rua – porto de tipos populares, faróis identitários da rua dos passantes:

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Dormenilly Nóbrega, nosso guru que nos abriu seu acervo para nossa pesquisa, também homenageia a rua emblema, apresentando seus tipos e suas peculiaridades:

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José Carlos de Lery Guimarães, jornalista, radialista, poeta e trovador, era juizforano, refere-se à democrática rua Halfeld de sua juventude, com a saudade do que recorda velhos tempos:

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Advogado, com trabalhos publicados em jornais e revistas, Roberto Mendes Gróia é exímio cronista e não deixa de, com olhos argutos, marcar as diferenças sociais de sua rua principal:

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Márcia Carrano, professora, advogada, poeta e contista, é de Cataguases, mas adotou Juiz de Fora, onde também foi adotada. Em seu poema “Mares de Minas”, lança seu olhar para a rua central da cidade, onde sabe ficam seus protótipos:

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Nosso aluno, amigo, professor, grande poeta Edimilson de Almeida Pereira narra, em seu pequeno poema, outra característica de nossa rua: servir de palco para passeatas e reivindicações:

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Luiz Carlos Correard Ferreira, além de poeta, é desenhista, compositor e “cantador”. Personifica a cidade que, como mulher, o seduz e o acolhe como filho. Apresenta-a nas tardes como a jovem que passeia pela Halfeld:

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Slide 32 – Ilustre passageiro

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PEGANDO O BONDE

A palavra “Bonde” vem do inglês Bond e significa ligação, liame, vínculo, elo, e Juiz de Fora foi a primeira cidade de Minas Gerais a ter bondes, tendo inaugurado a linha com tração animal da Ferro Carril Bonds de Juiz de Fora em 15 de março de 1881. Em 1904, Eduardo Guinle contratou a importação de oito veículos elétricos da firma J.G.Brill, inaugurando o sistema da Companhia Mineira de Eletricidade em 6 de junho de 1906.
Paulino de Oliveira em crônica de 27/03/64, escreve: “Do  Zé Weiss ao Lamaçal era a linha principal dos  bondes elétricos de Juiz de  Fora,  quando  aqui  cheguei,  em abril de  1916 (…)  Mas  só chega à Santa Casa. O  lamaçal ficava  mais  adiante,  em frente  ao Asilo João Emílio, no local onde está hoje o Bairro Bom Pastor.  A passagem custava duzentos réis e dava direito a “fazer o nó”, isto é,  descer pela  rua  do Espírito Santo, passar pela Estação e subir a Marechal Deodoro, ganhando de novo a Avenida Rio Branco. Isto para quem vinha do Zé Weiss. Quem vinha em sentido contrário descia pela Marechal Deodoro e contemplava o  “nó” subindo pela Espírito Santo.

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Vera Maria de Lima Bastos, poeta e trovadora, natural de Juiz de Fora, é ainda artista plástica e cantora lírica. Em trovas à Juiz de Fora revela a nostalgia, o lirismo e a saudade dos tempos felizes da infância ingênua e simples que permitem vislumbrar o grande encantamento com a terra natal, hoje alterada pelo progresso:

Rachel Jardim, juizforana, formou-se em Direito na PUC do Rio. Fez curso de Administração Municipal na Holanda, Inglaterra, Suécia e Alemanha, e estágios sobre administração de museus em Nova Iorque. Entre seus vários romances, destacamos Os anos 40 (a ficção e o real de uma época), assado em Juiz de Fora. Sempre amou sua cidade e, quando recorda o bonde, marco de época, deixa no imaginário da cidade uma representação nostálgica de tempos que não voltam mais:

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Renato Mattosinhos nasceu em Goianá, é bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, em Comunicação Social. Tem ainda vários cursos, como Museologia, Criminologia, Direito Agrário e Civil e Oratória em Vendas. Publicou, na imprensa de Juiz de Fora, “Crônica Urbana”, onde destaca um dos orgulhos de Juiz de Fora;

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Carlos Roberto Pimenta, natural de recreio, formou em eletrotécnica em Juiz de Fora, mudando-se depois para São Paulo. Sobre nossa cidade, recorda lamentando, a viagem do último bonde:

Slide 36 – imagens

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Lucília de Almeida Neves Delgado, natural de São João del-Rei e passou sua infância entre Juiz de Fora, onde residia, e sua cidade natal. Formada em História pela UFJF, é Doutora em Ciências Humanas pela USP. Reside em Belo Horizonte desde 1976, onde foi professora e Pró-Reitora da UFMG. De Juiz de Fora, guarda as imagens da infância e adolescência:

Maraliz de Castro Vieira Christo é professora de História da Arte da UFJF. Autora de várias publicações sobre a história da cultura e artes plásticas em Juiz de Fora, escreveu e ilustrou o livro infantil Juiz de Fora de dentro da gente, um resgate memorialístico de tempos felizes:

Slide 38 – agradecimento

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Esta trabalho maravilhoso da Leila e da Marisa   é muito interessante para a cidade pois ele fala de identidade, de “pertencimento”, do sentido maior da existência,  aprender a amar e valorizar  o que  se possui, a história de nossas vidas, nossas cidades,  para podermos atuar neste contexto de forma mais consciente e cidadã.

O momento me marcou e aí nasceu um poeminha, assim de repente:

Juiz de Fora

você era assim,

em mim, uma desconhecida.

Apenas levemente

bela,

apenas levemente

terna,

mas, solta no espaço

e sem raízes.

Até que Marisa Timponi

e Leila Barbosa

vieram-me falar de ti.

Juiz de Fora,

eu consegui te sentir

belle

tout a fait belle

dentro de mim.

E para finalizar um brinde, um brinde especial ao nosso primeiro ano de vida, feito por esta poetisa incrível que é  Ana Másala, fechando o café  desta tarde e nos deixando com este gosto de quero mais:

Para falar do Café com Poesia (e Arte) em seu primeiro aniversário, pensei em vir de Drummond, passando por Martha, por Maria Helena, enquanto namorava um Quintana de Bolso que também me olhava lá da estante.Ah, gente grande que me emprestasse suas letras, eu queria! Mas que nada, deixaram-me só, ali, onde as idéias claras me abandonaram. Devolveram-me ao vento, espicaçando minhas asas.  Voo solitário este de escavar palavras na imensidão de um ácido silêncio.

-  Vocês me entendem?

-  Já sentiram a quietude das palavras quando elas se trancam e nos deixam ainda mais fascinados pelo mistério?

Consolo-me pensando que as letras, antes escondidas, estarão viajando para sempre nos lábios do vento.

Voltando ao Café com Poesia (e Arte), mais que um grupo interessado em artes, mais que momentos compartilhados, Café com Poesia somos nós!

– Somos nós!?

Aquela voz interior insiste:

- Café com Poesia é um gesto íntimo reunindo nossas partes; viagem de companheiros na tentativa de tocar com suas asas um outro tempo. (Um outro tempo…)

Agora, sou eu quem cala as palavras para velar o mistério do encontro. Ouço apenas um coro de pássaros adoçando o silêncio.

Vida longa ao Café com  Poesia ( e Arte)!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ana   Másala