POEMA DE NICÁCIO ROBERTI
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria

MEDITAÇÃO
Nicácio Roberti
[ para Sonia Stigert]
Fio de luz, golpe de ar
Som que seduz e aperta o olhar
Frio que enche o coração
Tamborilar dos dedos em vão
Belo vazio, arrepio fugaz
Certo pudor de tempos atrás
Rosto que tira o sono melhor
Lembra a canção que eu não sei de cor
Branco que rouba a noção do pensar
Minha reserva de luz do luar
Água de mina, linda canção
Moça e menina num só coração
Dança do fogo de lenha a cozer
Páginas boas de um livro pra ler
Uma viagem num dia feliz
Certo presente que eu sempre quis
Grande tesouro de cordas em seis
Vinho que ajuda a vencer timidez
Plácido trôpego sôfrego e tal
Linda marchinha de carnaval
Mancha de nuvem imersa no azul
Estrela da noite cruzeiro do sul
Uma visão que me tira daqui
E mostra detalhes que eu nunca vi
O meu cantar pra você outra vez
Dizer que sim, contar até três
Tempo que corre depressa demais
Marcas no rosto que não saem mais
Primeira vez, emoção sem igual
Boa rotina de um dia normal
Vírgula, ponto, exclamação
O disparar de um coração
Outro recado escrito em papel
Ave pairando no vento do céu
Tensão do anzol do bom pescador
Todo o carvão do desenho sem cor
Brilho ao longe nas águas azuis
Bom lampião na falta de luz
Toda a bagunça do filho menor
Toda a saudade quando for maior.
[ Nicácio,
seu poema me pegou de surpresa e me encheu de alegria. Ao som desta linda melodia saí dançando na chuva, pulei muitas cachoeiras, corri pelos trilhos dos campos de milho. Fui terra, flor do campo. Ar, exalando vida. Água, água de mina. Fogo incandescente de verão.
Não consigo escrever exatamente o que senti mas senti e acabo achando que a única coisa que se pode fazer diante de tamanha beleza é sentir. Obrigada, de coração!
Sonia Stigert]