CONVITE – CAFÉ COM POESIA (E ARTE)
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria
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Resposta de Vera Guedes ao – Carta, então?
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Juiz de Fora, 07/11/2009
Minha querida amiga,
Como vai? E a família?
Aqui, estamos todos bem, graças a Deus.
Com toda esta pretensa intimidade, inicio a minha resposta ao teu chamado.
E, “para não perder a possibilidade do encontro”, refugio-me nas palavras que coloco a tua frente, para que, através delas, eu possa transmitir minha sensibilidade e toda a minha emoção.
Ler-te foi ouvir tua voz pausada e doce revelando-te em cada frase.
Não sei se terei a sonoridade dos pássaros para responder-te como bem merece teu apelo, porém, respondo-te com o amor de quem vivencia o primeiro encontro. E, neste encontro, peço-te o favor de não reter a Maria Helena, pois, quero sempre que me escrevas.
Tuas palavras, soam como a brisa que suavemente toca as pétalas das rosas do meu jardim; aquelas que fazem meu abrigo e cujos espinhos transformo em cercadinho, para que somente os amigos, como você, possam entrar. Lembra-te?
Tuas palavras são belas! E, toda beleza é sinônimo de amor. Conhecemos o belo quando somos capazes de amar! E tu és!
Quanto ao tempo, este, realmente, corre como um trem desgovernado, mas, se o destino é a felicidade, não importa a alvura dos nossos cabelos. Ser jovem é ter o coração feliz! E tu o tens! Teu coração flori a cada primavera e transborda um perfume mágico que transcende a eternidade.
A distância não te separa de mim; pelo contrário, a saudade é remédio eficaz para a manutenção do amor que renasce mais forte a cada encontro.
Por isso, não quis envia-te um E-mail, tantas vezes impessoal e abreviado. preferi responder-te nestas mal-traçadas linhas.
E se me perguntas: – Carta, então?
Respondo-te: Porque não?
Receba meus parabéns e um grande beijo!
Com todo o meu carinho e admiração
Vera Ribeiro Guedes
Reposta de Glória Barroso ao – Carta, então?
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Leopoldina, 30/10/09
Minha recente e antiga amiga,
Recebi sua Carta que leio e releio e agradeço por me confiar suas perplexidades, descobertas, sustos que se despejam no rio da Poesia, fertilizando, fazendo florescer sementes escondidas, esse Rio enriquecido com suas lembranças esmaecidas ou intensas. Não posso deixar suas cartas na gaveta ou na estante porque transbordam incontidas, vibrantes de apelos, emoções veladas ou escancaradas. Como não aparar com as mãos em concha e receber essa água pura que vem de fontes arquetípicas ou turvas pelas angústias inerentes ao ser humano diante do incognoscível, o inextricável fio emaranhado do destino.
Caminhamos, Maria Helena, apoiadas em tantas mãos. As suas, as de Gullar, as de Morandi, que como você diz, não decifram mas apresentam o mistério. Seguimos de aurora em aurora, crepúsculo em crepúsculo, alternando sóis e luas sucessivas, espantadas e atingidas pelo “Galo galo” de Gullar, pelas silenciosas “Coisas” de Borges e pelas Cartas de Maria Helena.
Minhas precárias mãos ansiosas, descuidadas, deixam derramar a fartura recebida, mas não são desperdiçadas. Fecundam algum lugar reinventando a magia da vida.
Beijos G [ Glória Barroso]
