TEXTOS APRESENTADOS NO ÚLTIMO ENCONTRO
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria
ANA MÁSALA

VERSO ERRANTE[ Imagem fractal da Internet] No sopro da madrugada, chega aos meus ouvidos o som nostálgico de uma flauta, que viaja manso pelas serranias. Um verso irreverente acorda e dança, incerto, entre uma e todas as palavras, que descem até a ponta dos meus dedos, e se aninham em minhas mãos fechadas. Há uma noite trancada em minha língua, mas o som da flauta que do etéreo veio, suspira ao vento aquele verso errante, que escapa à sina de um poema triste. Agora, a languidez me banha os olhos... um barco lento desliza em mar noturno, e ancora fluídico sob minhas pálpebras o poema mais calado, o poema mais sentido! ============================================================
VERA GUEDES

A LAGARTA E A BORBOLETA (METAMORFOSE)Era uma vez... uma lagarta envergonhada, que pelo chão se rastejava, e todo mundo debochava: que lagarta desengonçada, feia e maltratada! Ninguém dela gostava, às pessoas, ela assustava. Pobre Dona Lagarta... Muito triste ficou, e sentindo-se desprezada, em um casulo se fechou. E assim... passaram-se os dias, ninguém sua falta sentia, até que em belo cenário, enquanto o sol, a vida aquecia, e a rosa, o jardim floria, em um galho pendurado, o casulo se abria. E uma linda borboleta, de asas bem coloridas, o casulo deixou, alegrando nossa vida. E todos viram o milagre, que a natureza prepararou, a feia e envergonhada lagarta, na borboleta se transformou. Já não era desengonçada, mas linda e cheia de graça, e a todos superou. Pois não mais se rastejava, pelo contrário, voava, o céu, enfim, conquistou.
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REGINA MACHADO
A FLECHADA
O arco da vida se retesa lança sua flecha implacável. Uma grande cicatriz se forma. Atinge o alvo, nas emoções, que, sem piedade, com toda a força trazem com elas sentimentos vividos, alegres, sofridos, ocultos, nunca revelados por toda uma vida. =============================================================
ANA MIRANDA

CRÔNICA[Cachorro vira-latas de Martha de Barros] Gentem, hoje me aconteceu uma coisa muito interessante. Eu sai para correr e mal dei dez passos, um cachorrinho, um tomba-latãozinho (vira-latas), que estava do outro lado da rua, atravessou e veio todo serelepe para o meu lado. Como saio muito cedo para correr, eram 5:10 da manhã, a rua era só nossa. Descemos a Padre Café sem ninguém passar por nós, nem carro. Aí, eu corria, ele corria também, eu parava, ele parava, pulava em mim, lambia minha mão, trançava pelas minhas pernas, quase me derrubando no chão e assim fomos, só nós dois até chegarmos na Independência, onde já havia pessoas e carros, aí começamos a andar comportadamente, mas ele continuou trançando pelas minhas pernas. Quando estávamos, na metade da Rio Branco, ele achou companhia melhor que a minha. Abandonou-me sem sequer abanar o rabinho uma última vez... Trocou-me por um catador de papel que vinha em sentido contrário. Foi-se. Tomara que ele e o Catador fiquem juntos. Dois grandes seres! ===================================================
ANGELA NABUCO
ENFIM
[ Contornos de Eduardo Cândido (fotografia)] A porta de abre uma luz - ainda que tímida - mostra o contorno das coisas uma cadeira a mesa qualquer velha conhecida devagar, como quem pede licença os versos vão entrando, com vergonha de chegar, depois, de longa ausência eu os recebo estreando o vestido colorido que aguardava no armário nas dobras do tecido sou haste flexível que se deixa dobrar ao vento brincando de esperança. =================================================
HELENICE TOMAS
[ da direita para a esquerda: Angela Nabuco, Ana Másala,Vera Guedes, Helenice Tomas, Ana Miranda]
DEIXA
[Foto de Cristine Guadelupe] Deixa que eu transponha o profundo desses olhos morenos e que eu penetre além desse meu desejo e que na imensidão desse mundo invisível eu encontre o sabor do sonhado beijo Deixa que eu invada o profundo desses olhos serenos e que na invasão dessa imensa infinda vida eu descortine a bandura de sua pele morena. ===================================================================
JORGE LUIZ DA SILVA ALVES

VATICÍNIOS

Tomou-me as mãos; misto de sublimação e enfado, auxiliada pelo sândalo a exalar misticismo por todo aquele pseudo-santuário, iniciou a lucubração: vira crianças sorridentes com hematomas onde naufragavam suas inocências, mulheres infelizes sob tetos de mármore, homens revoltados pela falta de mártires para suas causas bisonhas, bonachões veteranos da vida na cuenta batalha pelo reconhecimento da sociedade em filas humilhantes…continentes inteiros infectados pela tragédia, raças irmãs dizimando-se na hecatombe por um deus que é o mesmo para todos, curas descobertas por acaso e antídotos encobetos por lucro. Ainda me olhava, desesperançada, quandp paguei a consulta e não exigi o troco. Desajeitado, desculpei-me: ” Não, ainda não sou eu; o tempo de meu ministério ainda virá – por hora, não me cricifique…”
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MARIA HELENA SLEUTJES

FADO AOS PEDAÇOS

Na enseada do desejo
o vento sopra inquietudes…
“se meu amor vier cedinho
eu beijo as pedras do chão
que ele pisar no caminho”
Se meu amor vier de tardinha
eu abraço as sombras da rua
pra a luar se embriagar…
Se meu amor vier de noitinha
eu troco todo o lamento
por uma canção de ninar…
Se meu amor… vier pra ficar…
eu canto na voz do tempo:
“tenho o destino marcado
desde a hora em que te vi.
Ó meu cigano adorado
viver abraçada ao fado
morrer abraçada a ti…”
[ os trechos entre aspas são versos do belíssimo fado português - RUA DO CAPELÃO]
ULTIMO ENCONTRO DO ANO
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria
ULTIMO ENCONTRO DO ANO.
Apesar da chuva, conseguimos chegar lá, no teatro do ESPAÇO DIVERSÃO E ARTE e a tarde ficou colorida, coloridíssima.
Estavam presentes os seguintes integrantes do grupo:
Ana Másala, Ana Miranda, Andrea Gerheim, Angela Nabuco, Cristine Guadelupe, Eduardo Rabelo, Helenice Tomas, Jorge Luiz da Silva Alves, Leila Barbosa, Maria Helena Sleutjes, Nicácio Roberti, Regina Machado, Samanta Cruz, Sonia Stigert e Vera Guedes.
Estiveram conosco também alguns convidados especiais; as atrizes Teka Figueira e Nina de Paula; os músicos André de Oliveira no violino ( presença especial) e Jota na percussão.

Queremos agradecer a presença de todos e especialmente dos que vieram de longe como a filha da Ana Másala e o namorado que vieram do Rio, o escritor Jorge Luiz que veio de São Paulo e o músico Nicácio Roberti que veio de Ubá.
Nosso carinho também aos membros do nosso grupo que não puderam estar conosco fisicamente mas estavam no coração: Claudia Freire Lima, Carlos Rodolfo Stopa, Célio Govedice, Glória Barroso e Marisa Timponi.
Começamos com a encantadora poeta Ana Másala e aquela delicada surpresa das flores (rosas brancas, as minhas preferidas) . Saiba, Ana, que você me deixou sem fala.


Depois, a Teka e a Nina entraram em cena:

Os textos “Vaticínios” e ” Segundo Epitáfio” de Jorge Luiz da Silva Alves foram os primeiros.
A seguir entrou a Cristine Guadelupe com seu show de imagens fractais, fotografias e ilustrações que entremearam as apresentações e que ela mesma vai inserir e comentar neste espaço.



Nina de Paula na flauta, André de Oliveira ao violino e Jota na percussão, deram tom aos nossos escritos.



Contamos com a presença marcante da artista plástica Sonia Stigert que apresentou e explicou o trabalho realizado a quatro mãos por ela e Wagner Fortes, intitulado “O PAPA É FASHION”. Trabalho que fez parte da Coletiva realizada no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (Juiz de Fora) entrepondo a programação do Grupo do Festival de Tehila dentro dos Estudos da História da Igreja na América Latina, um deles intitulado ” O papa lança moda e veste Prada”, uma alusão à irônica e sarcástica matéria da revista americana News Week. A curadoria foi de Tadeu Mattoso. Quem pode apreciar de perto, viu toda a beleza e criatividade da obra apresentada.

Sonia também falou de moda como arte e apresentou suas criações exclusivas. Detalhe de uma de suas peças logo abaixo:


Além disso, nos brindou com seus dotes culinários e vemos abaixo a escritora Vera Guedes e sua filha escolhendo o presentinho ( bom demais!!!)

Abaixo, Teka Figueira declamando um dos poemas de Helenice Tomas:

Da esquerda para a direita, na foto abaixo, Regina Machado, Sonia Stigert, Ana Másala e Helenice Tomas.

Novamente tivemos Nina de Paula e Teka Miranda com textos das poetas Ana Másala, Regina Machado e Angela Nabuco.

Até o Antônio curtiu este momento com Letícia e Angela Nabuco.

Um outro raro momento nos foi proporcionado pelo Nicácio Roberti apresentando sua música “Prenda” , vencedora do PRÊMIO ARI BARROSO no FESTIVAL DE MÚSICA DE UBÁ, realizado em novembro de 2009. Nicácio, que acaba de publicar seu primeiro livro infantil e também é ilustrador, me emocionou apresentando no encontro um dos meus poemas musicado por ele – FLORES DE AREIA. Que incrível! Quando um poema vira música, dizem que os anjos dançam. Eu confesso que esta foi uma das melhores sensações que já vivi. Abaixo cenas destes momentos.



Depois, tivemos a crônica da Ana Miranda, muito divertida. Abaixo, Eu e ela curtindo o espetáculo.

Na sequência, o poema da escritora Vera Guedes que nos fez flutuar como borboletas saindo de seus casulos.

Então, veio a Samanta Cruz para iluminar nossa leveza com o poema de Eduardo Galeano chamado a FUNÇÃO DA ARTE (I) que aqui reproduzimos:
“Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o Sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
Me ajuda a olhar!”
Finalmente, vemos na foto abaixo, a professora e escritora Leila Barbosa com sua alegria contagiante, nos falando sobre o lançamento do belíssimo álbum de arte : ISMAEL NERY E MURILO MENDES: REFLEXOS, de sua autoria e Marisa Timponi, primeiro livro editado pelo MAMM ( edição de luxo) que será lançado no MAMM/UFJF, no dia 15 de dezembro, as 19h.

Parabéns Leila e Marisa! Estaremos lá!!
Terminamos o encontro no Café do Espaço – Boutique dos Sabores – com muita alegria.

Abaixo, imagens da Cris Guadelupe que nos acompanharam durante o encontro.



Até março de 2010 e BOAS FESTAS para todos.
MUITA POESIA, ARTE E EMOÇÃO SAUDÁVEL!!
CONVITE – CAFÉ COM POESIA (E ARTE)
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria
Clique sobre a imagem para ampliar.
Resposta de Vera Guedes ao – Carta, então?
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria

Juiz de Fora, 07/11/2009
Minha querida amiga,
Como vai? E a família?
Aqui, estamos todos bem, graças a Deus.
Com toda esta pretensa intimidade, inicio a minha resposta ao teu chamado.
E, “para não perder a possibilidade do encontro”, refugio-me nas palavras que coloco a tua frente, para que, através delas, eu possa transmitir minha sensibilidade e toda a minha emoção.
Ler-te foi ouvir tua voz pausada e doce revelando-te em cada frase.
Não sei se terei a sonoridade dos pássaros para responder-te como bem merece teu apelo, porém, respondo-te com o amor de quem vivencia o primeiro encontro. E, neste encontro, peço-te o favor de não reter a Maria Helena, pois, quero sempre que me escrevas.
Tuas palavras, soam como a brisa que suavemente toca as pétalas das rosas do meu jardim; aquelas que fazem meu abrigo e cujos espinhos transformo em cercadinho, para que somente os amigos, como você, possam entrar. Lembra-te?
Tuas palavras são belas! E, toda beleza é sinônimo de amor. Conhecemos o belo quando somos capazes de amar! E tu és!
Quanto ao tempo, este, realmente, corre como um trem desgovernado, mas, se o destino é a felicidade, não importa a alvura dos nossos cabelos. Ser jovem é ter o coração feliz! E tu o tens! Teu coração flori a cada primavera e transborda um perfume mágico que transcende a eternidade.
A distância não te separa de mim; pelo contrário, a saudade é remédio eficaz para a manutenção do amor que renasce mais forte a cada encontro.
Por isso, não quis envia-te um E-mail, tantas vezes impessoal e abreviado. preferi responder-te nestas mal-traçadas linhas.
E se me perguntas: – Carta, então?
Respondo-te: Porque não?
Receba meus parabéns e um grande beijo!
Com todo o meu carinho e admiração
Vera Ribeiro Guedes
Reposta de Glória Barroso ao – Carta, então?
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria

Leopoldina, 30/10/09
Minha recente e antiga amiga,
Recebi sua Carta que leio e releio e agradeço por me confiar suas perplexidades, descobertas, sustos que se despejam no rio da Poesia, fertilizando, fazendo florescer sementes escondidas, esse Rio enriquecido com suas lembranças esmaecidas ou intensas. Não posso deixar suas cartas na gaveta ou na estante porque transbordam incontidas, vibrantes de apelos, emoções veladas ou escancaradas. Como não aparar com as mãos em concha e receber essa água pura que vem de fontes arquetípicas ou turvas pelas angústias inerentes ao ser humano diante do incognoscível, o inextricável fio emaranhado do destino.
Caminhamos, Maria Helena, apoiadas em tantas mãos. As suas, as de Gullar, as de Morandi, que como você diz, não decifram mas apresentam o mistério. Seguimos de aurora em aurora, crepúsculo em crepúsculo, alternando sóis e luas sucessivas, espantadas e atingidas pelo “Galo galo” de Gullar, pelas silenciosas “Coisas” de Borges e pelas Cartas de Maria Helena.
Minhas precárias mãos ansiosas, descuidadas, deixam derramar a fartura recebida, mas não são desperdiçadas. Fecundam algum lugar reinventando a magia da vida.
Beijos G [ Glória Barroso]
[ Imagem fractal da Internet]
No sopro da madrugada,
chega aos meus ouvidos
o som nostálgico de uma flauta,
que viaja manso pelas serranias.
Um verso irreverente acorda e dança,
incerto, entre uma e todas as palavras,
que descem até a ponta dos meus dedos,
e se aninham em minhas mãos fechadas.
Há uma noite trancada em minha língua,
mas o som da flauta que do etéreo veio,
suspira ao vento aquele verso errante,
que escapa à sina de um poema triste.
Agora, a languidez me banha os olhos...
um barco lento desliza em mar noturno,
e ancora fluídico sob minhas pálpebras
o poema mais calado,
o poema mais sentido!
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Era uma vez...
uma lagarta envergonhada,
que pelo chão se rastejava,
e todo mundo debochava:
que lagarta desengonçada,
feia e maltratada!
Ninguém dela gostava,
às pessoas, ela assustava.
Pobre Dona Lagarta...
Muito triste ficou,
e sentindo-se desprezada,
em um casulo se fechou.
E assim...
passaram-se os dias,
ninguém sua falta sentia,
até que em belo cenário,
enquanto o sol, a vida aquecia,
e a rosa, o jardim floria,
em um galho pendurado,
o casulo se abria.
E uma linda borboleta,
de asas bem coloridas,
o casulo deixou,
alegrando nossa vida.
E todos viram o milagre,
que a natureza prepararou,
a feia e envergonhada lagarta,
na borboleta se transformou.
Já não era desengonçada,
mas linda e cheia de graça,
e a todos superou.
Pois não mais se rastejava,
pelo contrário, voava,
o céu, enfim, conquistou.
A FLECHADA
O arco da vida se retesa
lança sua flecha implacável.
Uma grande cicatriz se forma.
Atinge o alvo, nas emoções,
que, sem piedade,
com toda a força
trazem com elas
sentimentos vividos,
alegres, sofridos,
ocultos, nunca revelados
por toda uma vida.
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[Cachorro vira-latas de Martha de Barros]
Gentem, hoje me aconteceu uma coisa muito interessante.
Eu sai para correr e mal dei dez passos, um cachorrinho,
um tomba-latãozinho (vira-latas), que estava
do outro lado da rua, atravessou e veio todo serelepe
para o meu lado.
Como saio muito cedo para correr, eram 5:10 da manhã,
a rua era só nossa.
Descemos a Padre Café sem ninguém passar por nós,
nem carro. Aí, eu corria, ele corria também,
eu parava, ele parava, pulava em mim, lambia minha mão,
trançava pelas minhas pernas, quase me derrubando
no chão e assim fomos, só nós dois
até chegarmos na Independência, onde já havia
pessoas e carros, aí começamos a andar comportadamente,
mas ele continuou trançando pelas minhas pernas.
Quando estávamos, na metade da Rio Branco,
ele achou companhia melhor que a minha. Abandonou-me
sem sequer abanar o rabinho uma última vez...
Trocou-me por um catador de papel
que vinha em sentido contrário. Foi-se.
Tomara que ele e o Catador fiquem juntos.
Dois grandes seres!
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[ Contornos de Eduardo Cândido (fotografia)]
A porta de abre
uma luz - ainda que tímida -
mostra o contorno das coisas
uma cadeira
a mesa qualquer
velha conhecida
devagar, como
quem pede licença
os versos vão entrando, com
vergonha de chegar, depois,
de longa ausência
eu os recebo
estreando o vestido colorido
que aguardava no armário
nas dobras do tecido
sou haste flexível
que se deixa dobrar
ao vento
brincando de esperança.
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[ da direita para a esquerda: Angela Nabuco,
Ana Másala,Vera Guedes, Helenice Tomas, Ana Miranda]
[Foto de Cristine Guadelupe]
Deixa que eu transponha
o profundo desses olhos morenos
e que eu penetre além desse meu desejo
e que na imensidão
desse mundo invisível
eu encontre o sabor do sonhado beijo
Deixa que eu invada
o profundo desses olhos serenos
e que na invasão
dessa imensa infinda vida
eu descortine a bandura
de sua pele morena.
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