COTIDIANO – Glória Barroso
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria

[quadro de Erico dos Santos - Flores do campo]
COTIDIANO
Glória Barroso
O pão não é só o pão.
Casca que quebra se dissolve na língua
Prazer
É saudade.
O leite não é só o leite.
É o capim que recende
O sol que se acende na manhã de abril
Orvalho que brilha transformado em estrela
No verde da folha que treme que pende
Sob a doce pressão.
É o peso da vaca
Mugido ao longe
A tristeza do som que se derrama na tarde
Mansidão
Crepúsculo
O café não é só café
Líquido quente
Escorre gostoso na nossa garganta.
É tarde calma
Conversa tranqüila
O silêncio que vai e que volta
No ritmo das palavras que chegam
Se abrem como flores inúteis e rápidas
É a toalha limpa alma limpa
Lembrança da mãe
A água não é só a água
É claridade que passeia fresca em nosso corpo.
3 Responses to “COTIDIANO – Glória Barroso”
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Ana Miranda Says:
setembro 14th, 2009 at 19:07E ler essa poesia, não é somente lê-la.
É mergulhar na simplicidade do cotidiano, sem achá-lo monótono.
É ver a felicidade nas coisas mais corriqueiras da vida, aqui, do ladinho da gente!!!
Parabéns Glória.
Obrigada Maria Helena por nos brindar com essa poesia tão terna da Glória. -
Vera Ribeiro Guedes Says:
setembro 23rd, 2009 at 15:19E Glória, não é só Glória…
Mas, sim a “nossa” Glória,
de podermos participar
de sua história.Beijos!!!!
Vera. -
Letícia Ferreira Corrêa Says:
outubro 29th, 2009 at 17:59Amei, viajei junto com o poema, escutei o mugido……imaginei o gosto do leite, do café, senti uma sensação gostosa ao ler seu saudoso poema….me fez recordar…….
Esse poema nos traz sensações…ouvir…ver…sentir gostos…..uma delícia…