Convite

Queridos amigos, Ana e eu gostaríamos de convidá-los para nosso segundo encontro. A data que estamos propondo é 04 de julho (sábado), as 16 h, no mesmo local: Rua Dr. João Penido Filho, 362, apto 401 – Bairro Bom Pastor. Programamos, por sugestão do Eduardo Rabelo , um debate sobre o filme O LEITOR, com Kate Winslet e Ralph Fiennes. Este filme teve 5 indicações para o Oscar 2009 (melhor atriz; melhor roteiro adaptado: melhor fotografia). O tema também, segundo o relato de quem já assistiu, é muito instigante. Pensamos que será mais interessante se todos puderem assistir antes do encontro, pois assim o debate será mais proveitoso. Estaremos com alguns psicólogos presentes: Ana Másala, Eduardo Rabelo, Adriana Sleutjes e Claudia Freire Lima de São Paulo (que está fazendo formação em psicanálise). Os poetas Célio Govedice e Carlos Rodolfo Stopa de São Paulo também foram convidados mas ainda não confirmaram. Por favor, confirmem suas presenças para que possamos organizar nosso CAFÉ COM POESIA ( E ARTE) Informaçõe: am_mendes2004@yahoo.com.br (Ana Másala) ou mhsleutjes@terra.com.br ( Maria Helena) Para ir temperando nosso Café, aqui vai o poema da nossa colega Gloria Barroso. Atentem para o tema (rsrs) e fiquem com água na boca:

A broa

Glória Barroso
 A Deise é que fazia uma broa que levava queijo. 
Ele se separava em uma camada 
no fundo da forma
cremoso
cheiroso.
 Tenho certeza que era a danada da Deise que fazia essa broa.
Que além do queijo
levava farinha de trigo.
Broa moderna
fina
macia
servida em prato de porcelana.
Mas de primeiro
o queijo não entrava.
Nem farinha.
Era uma broa simples 
quitute de roça de comer em banco de pau
com pés de bandeirinha ou
feita pro café dos colonos
 na pausa da tarde
da lida
da enxada da foice do sol
sol forte
à sombra do angico
entre risos e casos
e cantos
toada comprida sempre igual.
Uma broa gostosa de fubá áspero
 amarelo 
 com pontinhos escuros.
Fubá de moinho d’água
que nascia ao som cantado da roda
no farfalhar das folhas ao redor
com o alarido d’água forte fresca clara;
não em fábricas
de um amarelo industrial mas
ao som do assobio do vento nas folhas longas
estreitas
bem verdes e ásperas
da voz de quem o cuidava dizer “o milho já tá cacheando”
 dos cabelos macios e ruivos da espiga
 do sol que a tudo enchia de luz.
Ao fubá se misturavam ovos 
casca dura gema consistente 
 clara contida
 açúcar a manteiga batida fresca
 pontilhada de gotinhas d’água
que na verdade era menos usada que a banha.
Cravo-da-India - cabinho marrom com cabecinha de flor-
que infiltrava na massa seu cheiro e sabor
noz-moscada,
erva doce;
massa grossa,
rústica.
O espesso rio amarelo era derramado 
na forma de canudo ou no tabuleiro
fazendo dobras.
 Em meia-hora o cheiro bom se espalhava pela cozinha
inundando toda a casa
 enchendo de paz
e fartura
Sentimento de que se cumpria a vida
áspera e clara
cheia de um grande sol.
De primeiro era assim.

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