Encontro de março/2012
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria
CAFÉ COM POESIA ( E ARTE) – março de 2012
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Depois de um “longo e tenebroso inverno”, eis-nos de novo reunidos.
Nossa reunião, enfim, aconteceu e foi muito legal! Contamos a história de um dos nossos poemas/textos. Matamos a saudade, demos nossos recados, sorrimos, rimos e cantamos parabéns para a Ana Miranda.
<a href=”http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2012/03/cpa-março-2012-2.jpg”><img src=”http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2012/03/cpa-março-2012-2-300×224.jpg” alt=”" title=”cpa – março 2012 -2″ width=”300″ height=”224″ /></a>
O que foi dito nesta reunião foi muito interessante pois falamos do momento de criação dos poemas/textos apresentados e este é um assunto muito rico.
<a href=”http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2012/03/cpa-março-2012-11.jpg”><img src=”http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2012/03/cpa-março-2012-11-300×224.jpg” alt=”" title=”cpa – março 2012 – 11″ width=”300″ height=”224″ /></a>
Cada um trouxe um texto de sua autoria que tivesse um motivo maior para ter sido escrito, uma memória singular, um grande pretexto, uma história marcante. Deu samba…Deu muito samba.
<a href=”http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2012/03/cpa-março-2012-6.jpg”><img src=”http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2012/03/cpa-março-2012-6-300×224.jpg” alt=”" title=”cpa – março 2012 -6″ width=”300″ height=”224″ /></a>
Leila Barbosa, abriu a roda e nos trouxe um dos seus poemas:
POÉTICA DO VARAL
<em>Leila Barbosa</em>
Lavadeiras da palavra vão à fonte
de inspiração
Levam trouxas e trouxas
de frases sujas
contaminadas
pela cultura alheia
Levam trouxas e trouxas
de períodos sanguinolentos
violados pelo colonizador…
Correm em busca de água clara
que jorram de nossas raízes
puras, “desafixadas”
dessa água que limpa, alveja, ilumina
a literatura despertada
Esfregam o tempo e o espaço
o alfabeto envelhecido
Deixam de molho
“a língua fascista”
manchada
pela nódoa indelével
No coradouro, ao sol,
a retórica tradicional
reverbera agonizante
Torcem, retorcem, distorcem
dando um novo sentido
à linguagem desgastada
Batem na pedra surda
Cacofonias eufônicas
Ouvem “sapos tanoeiros”
estrídulos de grilos renitentes
Enxaguam no canto da fonte
versos quebrados
estrofes partidas
Cerzem os rasgões violentos
remendam partes descosidas
bordam caligraficamente
tecendo poemas de esperança
vão em frente sacudindo
os respingos persistentes
E o poema é estendido
aos passantes
Graciosamente ofertados,
os poemas no barbante
compõem o nosso varal!
Aqui Leila ( de blusa creme na foto) nos falou de um tempo onde a poesia era escrita em papéis e jogadas das janelas dos prédios em Juiz de Fora e depois recolhida e colocada em varais para ser lida pela população. Bons tempos!!!
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<a href=”http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2012/03/cpa-março-2012-13.jpg”><img src=”http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2012/03/cpa-março-2012-13-300×224.jpg” alt=”" title=”cpa – março 2012 – 13″ width=”300″ height=”224″ /></a>
Na sequência, tivemos Eliana Mora ( de rosa na fotografia) que nos trouxe:
ACALANTO AOS PENSAMENTOS DE UM FINAL
<em>Eliana Mora</em>
Assim como uma luz
meio sem forma
está entrando em limiares de colunas cheias
salinas e desconcertantes
tu apareces
como se dali de onde cuspido foste
mensagem te viesse
de que nada poderias fazer para voltar
E rugas aparentas ter
como se de pele antiga fosse composta tua face
para que em processo
rápido audaz
quase um milagre
lisa
em pouco tempo ela acabasse por ficar
Como se a própria Vida num palco
se esticasse
E assim começa a esquisita caminhada
para o fim
e ainda que não possas enxergar em meio às névoas
elas se dissiparão
e tu alcançarás com certa nitidez
uma das verdades que em ti
vão esbarrar
E um dia
passando pelos dramas da tristeza
em meio ao burburinho de perder-te
ao aninhar-se como fosse ainda
aquele feto
em rima que não rende
perceberás
que nada além de um regresso estás vivendo
que tudo apenas
começa a retornar
E ao se transformar de novo na criança
em busca do calor e da umidade
já tens de novo rugas
mais idade
pelos brancos
num corpo bem franzino
que repousará em seu lugar
de vinda
e de destino
E saberás então
que era esse movimento
muito mais simples mesmo do que pregam
O arco emboscado
desta Vida
Contando a história do poema, Eliana nos diz que o poema nasceu após uma conversa bem longa com um repórter, em sua casa.
Estava ela no Rio de Janeiro, e até [de certa forma] se espantou com a ‘tese’ que estava a formular sobre a infância, a velhice, a identidade de ambos em tantos pontos de vista; as questões da vida, a nossa não-escolha em vir ao mundo, a questão do ‘final obrigatório’.
Mal ele saiu, nem pensou: sentou-se para escrever o “Acalanto…”. E diz: creio até ter mesmo passado a crer em tudo o que ficou escrito naquela tarde, naquele poema – e em mim.
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<a href=”http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2012/03/cpa-março-2012-8.jpg”><img src=”http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2012/03/cpa-março-2012-8-300×224.jpg” alt=”" title=”cpa- março 2012 – 8″ width=”300″ height=”224″ /></a>
Ana Miranda, alegre e serelepe ( de short estampadinho na foto) nos deu este recado:
ESCREVER: ATO SOLITÁRIO?
<em>Ana Miranda</em>
Dizem que escrever é um ato solitário… Mas, aí, eu fico pensando, como pode ser solitário estar em companhia de si mesmo, dos próprios pensamentos, sentimentos e de seus personagens – reais ou fictícios – rondando seu !inconsciente consciente”?
Como considerar solitário um momento onde você pode deixar de ser você e ser outras pessoas, viver outros momentos, viajar outros espaços?
Não escrevo poesia, não tenho a sensibilidade que julgo ser necessária para que poetas externem sentimentos, que nem sempre são seus, de maneira ora delicada, ora “chocando” o leitor, mas sempre, mexndo, literalmente, com os sentimentos alheios.
Acho que deve ser incrível externar sentimentos – principalmente aquele sentimento de abandono, de dor, de amor, de saudade, de felicidade e tantos outros sentimentos abstratos – que mesmo não sendo do autor, ele consegue comunicar-se com o mundo de outras pessoas e tocar o íntimo de quem o lê.
Imagino que deve ser uma satisfação ímpar saber que, o que se escreve, reflete a dor ou a felicidade do outro…
E os cronistas? Pessoas que são capazes de transformar em palavras o cotidiano!
Temos também os romancistas, criadores de “pessoas”, mini deuses, criando situações, dando vida aos seus personagens. Heróis, vilões, comédia, tragédia, amor, ódio… Criadores de vida!!!
Talvez, por eu não ser uma escritora, não consiga ver a “solidão” no ato de escrever, pois, como leitora, sinto-me rodeada de “gentes”.
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<a href=”http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2012/03/cpa-março-2012-17.jpg”><img src=”http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2012/03/cpa-março-2012-17-300×224.jpg” alt=”" title=”cpa- março 2012 – 17″ width=”300″ height=”224″ /></a>
Marisa Timponi ( de blusa cinza na foto) no fez o seguinte relato:
“Enquanto pensávamos e ou discutíamos sobre o processo de criação, nasceu-me este texto-poema:
<strong>NO ATO DA ESCRITA</strong>
A vontade de escrever
me predispõe o estado de poesia.
O texto flui,
o tema chega depois.
As palavras me atropelam:
“ferem-me,
matam-me”,
estrangulam-me.
Fico alerta,
à espera do próximo tornado,
pronta para o próximo desafio.
Em seguida, após a apresentação do poema da Lázara e do texto da Ângela, vieram-me estes versos:
Entre araras e siriemas,
o cheiro de café vem da cozinha.
Trovão no céu
anuncia despedida do calor
na tarde de poesia.
Depois, contei a gênese do livrinho de contos “Histórias de arrepiar”, do qual sou coautora, pela ZIT-Editora, Rio de Janeiro, que contém dois dos contos do meu “Varandas e quintais”, que escrevi exatamente quando perdi um bebê natimorto, já com seus seis meses… Um trecho do primeiro conto é de memórias, quando resgato a Margarida, nossa babá querida:
<strong> O LUGAR DA MARGARIDA </strong>
“Menina do vale da extensão da Serra da Mantiqueira, perto do entrecho da Serra dos Maurícios, de nome abusado (Borosco) já devia nter aprendido que gente de Piedade de Minas ou Santana do Deserto tem medo de alma penada.
Margarida não negava a raça. Estava marcada no corpo. Vento ruim a derrubara do banco, quando criança. Ficou torta e encolhida para sempre. Parece que diminui um bocadinho a cada ano vencido.
O esmalte vermelho em suas longas unhas endurecidas a formol, o cabelo teso e esticado a ferro quente, os dentes lixados a carvão e cinza do fogão de lenha e a certeza de que seria vencedora no programa de calouros de domingo, na rádio da cidade vizinha, faziam-na crescer na varanda alta do fundo do quintal. E era lá que conhecíamos as suas muitas histórias. Ela começava:
-Numa soleira de um bosque, não muito longe daqui, viviam Sinhazinha, sua mãe e sua cachorrinha.
A Sinhazinha era muito bonita e vivia protegida pela mãe.
Mas existia um moço muito estranho, de orelhas enormes e ponteagudas, cabeludo e amarelado que vivia assediando-a, querendo namorar com ela………..”
E por aí segue o conto, resgatando a mineiridade com seus causos, histórias de lobisomem, tal como a que nos foi contada por Margarida naquela manhã de segunda-feira, enquanto tomávamos café para correr para o quintal e encarapitarmos nos nossos pés-de-jabuticabas-casinhas-de-brincar….”
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Angela Nabuco, (ao lado de Marisa Timponi na foto acima) nos brindou com uma crônica que vai fazer parte de uma antologia a ser lançada ainda este ano no Rio de Janeiro. Sua crônica nos remeteu ao seu tempo de infância, a vida na fazenda, as pessoas, a natureza, os valores em seu mínimos e encantadores detalhes…Vamos aguardar a publicação da antologia para reler.
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<a href=”http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2012/03/cpa-março-2012-7.jpg”><img src=”http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2012/03/cpa-março-2012-7-300×224.jpg” alt=”" title=”cpa – março 2012 – 7″ width=”300″ height=”224″ /></a>
Nesta mesma sintonia, Glória Barroso ( de blusa verde na fotografia ao lado da Ana Miranda) nos oferta seu poema A BROA, vejam:
A BROA
<strong>Glória Barroso</strong>
A Deise é que fazia uma broa que levava queijo.
Ele se separava em uma camada
no fundo da forma
cremoso
cheiroso.
Tenho certeza que era a danada da Deise que fazia essa broa.
Que além do queijo
levava farinha de trigo.
Broa moderna
fina
macia
servida em prato de porcelana.
Mas de primeiro
o queijo não entrava
Nem farinha.
Era uma broa simples
quitute de roça de comer em banco de pau
com pés de bandeirinha ou
feita pro café dos colonos
na pausa da tarde
da lida
da foice
do sol
sol forte
à sombra do angico
entre risos e casos
e cantos
toada comprida
Uma broa gostosa de fubá áspero
sempre igual.
amarelo
com pontinhos escuros.
Fubá de moinho d’água
que nascia ao som cantado da roda
no farfalhar das folhas ao redor
com o alarido d’água forte fresca
clara;
não em fábricas
de um amarelo industrial mas
ao som do assobio do vento nas folhas longas
estreitas
bem verdes e ásperas
da voz de quem o cuidava dizer “o milho já tá cacheando”
dos cabelos macios e ruivos da espiga
do sol que a tudo enchia de luz.
Ao fubá se misturavam ovos
casca dura
gema consistente
clara contida
a manteiga batida fresca
pontilhada de gotinhas d’água
que na verdade era menos usada que a banha.
Cravo-da-India – cabinho marrom com cabecinha de flor-
que infiltrava na massa seu cheiro e sabor
noz-moscada,
erva doce;
massa grossa,
rústica.
O espesso rio amarelo era derramado
na forma de canudo ou no tabuleiro
fazendo dobras.
Em meia-hora o cheiro bom se espalhava pela cozinha
inundando toda a casa
enchendo de paz
e fartura
Sentimento de que se cumpria a vida
áspera e clara
cheia de um grande sol.
De primeiro era assim.
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<a href=”http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2012/03/cpa-março-2012-161.jpg”><img src=”http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2012/03/cpa-março-2012-161-300×224.jpg” alt=”" title=”cpa – março 2012 – 16″ width=”300″ height=”224″ /></a>
Lázara Papandrea ( de verde com Leila Barbosa na foto acima) recitou para nós seu poema muito recente ARARIPE, feito em homenagem ao avô. O proprio poema descreve a beleza da imagem que ela tem do avô, uma linda e justa homenagem:
ARARIPE
<strong>Lázara Papandrea</strong>
Arara.
Ipê.
Meu avô tinha nome
de Ar
Ave
Árvore
E só agora percebo
que suas costas tortas
era das asas que lhe pesava
subir nos galhos da vida!
Explicando, ela acrescentou: primeiro me veio o nome Araripe, e então percebi que eu podia fragmentá-lo em Arara, Ipê, Ar.. pensei em voo, em asas, em galhos, lembrei-me de suas costas arcadas ao fim da vida, da luta imensa pela sobrevivência, da sua vontade férrea de viver e me veio o poema.
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<a href=”http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2012/03/cpa-março-2012-5.jpg”><img src=”http://veusdemaya.com/wp-content/uploads/2012/03/cpa-março-2012-5-300×224.jpg” alt=”" title=”cpa – março 2012-5″ width=”300″ height=”224″ /></a>
Eu, acabei não apresentando a história do meu poema NEL SILENZIO, inspirado na tela de Piero Dorazio, do acervo do MAMM da UFJF. Não deu tempo, então, faço-o agora:
O poema nasceu a partir da emoção sentida na contemplação do quadro. Seria preciso ver o quadro para entender melhor. Encontrei o quadro exposto no pequeno salão do andar térreo do MAMM e ele me chamou quando entrei para trabalhar. Fui até ele e de repente o quadro me absorveu. Eu não era mais eu, eu era o quadro e fui tomada de grande emoção, como se eu o tivesse pintando pedacinho por pedacinho.
Fiquei ali alguns minutos e depois saí correndo para minha mesa no segundo andar para escrever o que senti e escrevi isto:
A primeira pincelada
corta minha alma
de fora a fora
[ minha primeira sensação foi de dor e depois, quando mergulhei nas cores, senti que era a dor de uma paixão, mais precisamente, a dor de um desejo, e escrevi:]
Meu sangue vermelho
em matizes se desdobra.
Vermelho-laranja
vermelho-vermelho
vermelho-negro-vermelho.
Silêncio do desejo
a tela explode.
[ esta explosão atingia todas as coisas, inclusive o pintor, então, continuei:]
A dor bate na porta
dos homens de hora em hora
- De que matizes queres a vida?
[ porque, o quadro dizia, podemos pintar a vida com as cores que quisermos. Os tons do quadro eram laranja, vermelho e negro (pequenas linhas negras para representar a dor estavam mescladas as outras cores) tudo em quadradinhos justapostos, talvez para lembrar a arrumação das pessoas na vida e isto não é uma coisa simples, é complexa, trabalhosa...:]
Sombras correm atrás das pessoas
pedaços voam
na tela do ser
mãos-movimento
tecem enganos
vermelho-vermelho
- De que cores queres os sonhos?
[ a paixão em seu ápice representada pelo vermelho-vermelho, é engano, sonho, ilusão. Ainda, a repetição do movimento, dizia que não era mais possível ao pintor situar-se, que ele estava sendo levado... ]
Coberto de heras
o corpo descansa
nos quadradinhos justapostos
- De que matizes queres o abismo?
Vermelho-negro-vermelho
Absoluto.
[E não é possível dizer mais nada,aí eu compreendi o título da tela: NEL SILENZIO. Foi uma experiência incrível!!!]
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Para aqueles que não puderam participar, ficam aqui nossas notícias:
-O Rodrigo Barbosa ( filho da Leila) vai lançar em abril um romance pela Editora Record, com coquetel no Fátima Buffet. Com prefácio de Rachel Jardim, o livro promete!
-O livro da Glória está no final da revisão e em breve será publicado. A poesia da Glória é belíssima e estamos ansiosos pelo livro.
-O livro Exercício de olhar de Maria Helena Sleutjes, Ana Másala, Lázara Papandrea, João Manoel e Alessandra Espínola, chegou da gráfica e logo estaremos marcando o lançamento.
-O tema do próximo encontro no dia 07 de abril será finalmente: AMIZADES LITERÁRIAS e vamos convidar a CLEVANE PESSOA para participar do mesmo.
- O HEMOMINAS estará homenageando os poetas da cidade no dia 14 de março, as 15.30h. e convida a todo o grupo para participar do seu Varal de Poesia enviando um poema. O poema pode ser enviado para: ana.ferreira@hemominas.mg.gov.br . Participem e doem sangue, é claro!
-O SESC/JUIZ DE FORA está organizando uma atividade literária em sua Biblioteca, para o dia 18 de abril. Esta atividade inclui palestras, contação de histórias e feira do livro. Quem quiser participar, pode falar comigo, resumindo que tipo de atividade gostaria de apresentar.
- Leila Barbosa presenteou cada participante com dois livros de Embla Rhodes – Viagem ao sol e Aether, romances policiais, que agradecemos.
-Vou ser homenageada no jantar promovido pelo colunista Eduardo Gomes para os destaques femininos de Juiz de Fora, no Victory, no dia 8/03/2012 (isto eu esqueci de falar -rsrs)
- Aproveito agora também para repassar o convite da poeta Daura Barbosa para o evento NOITE DE SONHO E POESIA, que vai acontecer na rua Evaristo Sá Alves, Morro da Glória, as 18.30h, do dia 24/03.2012.
E para finalizar, nosso poema/emblema:
(…) de vez em quando
mexia o café
com uma colher
de POESIA.
Então,
roubava do tempo
o contorno das horas
e viajava no vento
sobre os trigais.
Até o próximo!!!
CAFÉ COM POESIA – OUT/2011
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria
No último encontro de outubro, o Grupo homenageou MANOEL DE BARROS
A melhor definição da poesia de Manoel de Barros, encontrei na Internet, num site chamado De perto ninguém é normal, vejam só:
“Os poemas de Manoel de Barros são para ninguém entender, como ele mesmo disse. São para a gente esfregar os olhos, espreguiçar e acordar mais feliz. Quando Manoel escreve, a poesia acorda arrepiada de sol, mas quem amanhece é o leitor.”
Os poemas de Manoel de Barros rastejam pelo chão, estão carregados de terra, penas, bicos, asas. São obra prima de sua natureza interior, tão natureza e tão interior, acrescento.
MANOEL DE BARROS, é uma das figuras mais originais da literatura brasileira, advogado, fazendeiro e grande poeta, é dono de um vocabulário particular que pode ser chamado de coloquial rural. Foi ele quem disse que “ com as palavras se podem multiplicar os silêncios.”
Eu preciso do outro.
Eu penso em renovar o
homem usando
BORBOLETAS
Manoel de Barros
Seus livros:
1937 – Poemas concebidos sem pecado.
1942 – A face imóvel.
1960 – Compêndio para uso dos pássaros.
1966 – Gramática expositiva do chão.
1974 – Matéria de poesia.
1980 – Arranjos para assobio
1993 – O livro das ignorãnças.
1998 – O retrato do artista quando coisa.
2000 – Ensaios fotográficos; Exercício de ser criança; O encantador de palavras.
2001 – O fazedor de amanhecer; Águas; Tratado geral das grandezas do ínfimo
2003 – Para encontrar o azul eu uso pássaros; Cantigas para um passarinho à toa; Les paroles sans limites: Todo lo que invento es falso.
2004 – Poesia rupestre
2005 – Memórias inventadas
2010 – Menino do mato; Poesias completas
Quando meu olho furado de beleza for esquecido pelo mundo. Que hei de fazer????
Manoel de Barros
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PRÓXIMO ENCONTRO DO GRUPO NO DIA 10 de dezembro, as 15h. no Museu de Arte Murilo Mendes – Rua Benjamim Constant, 790 – Centro – Juiz de Fora – MG.
TEMA DESTE ENCONTRO: AMIZADES LITERÁRIAS.
Café com Poesia ( e Arte) – ago/2011
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria
NO DIA 06 DE AGOSTO ACONTECEU MAIS UM ENCONTRO DO GRUPO CAFÉ COM POESIA (E ARTE), NO MUSEU DE ARTE MURILO MENDES.
NUMA SALA MENOR, MUITO BONITA E ACONCHEGANTE.
DOIS ACONTECIMENTOS MARCARAM ESTE ENCONTRO.
O PRIMEIRO FOI A ENTREGA DOS LIVROS ARRECADADOS PELO GRUPO PARA O CENTRO SOCIOEDUCATIVO DE JUIZ DE FORA, ENTIDADE VOLTADA AO ATENDIMENTO DE ADOLESCENTES INFRATORES, AOS QUAIS FOI APLICADA MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE INTERNAÇÃO, EM CONSONÂNCIA COM AS DETERMINAÇÕES DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE.
QUEM NOS PROCUROU, E INICIOU O CONTATO COM O GRUPO, FOI BEATRIZ THEODES, UMA DAS PEDAGOGAS DA INSTITIÇÃO, MAS QUEM ESTEVE NA REUNIÃO PARA RECEBER OS LIVROS FOI A PEDAGOGA BRUNA COSTA LIMA MAGALHÃES ( NA FOTO ABAIXO).
COM MUITA DESENVOLTURA E SIMPATIA, BRUNA FALOU SOBRE ESTE TRABALHO MULTIDISCLIPNAR QUE BUSCA PROMOVER A RESPONSABILIZAÇÃO DO ADOLESCENTE POR SEUS ATOS.
O PRINCIPAL OBJETIVO DO CESJF É PROPORCIONAR AO ADOLESCENTE, AUTOR DO ATO INFRACIONAL, A OPORTUNIDADE DE COMPREENDER SUAS ATITUDES, SUA SITUAÇÃO DE PESSOA QUE POSSUI DIREITOS E DEVERES, RE-INSERINDO-O À CONVIVÊNCIA SÓCIOFAMILIAR E COMUNITÁRIA ( O QUE É MUITO DIFÍCIL) NA BUSCA DO EXERCÍCIO DE CIDADANIA.
FIQUEI MUITO FELIZ QUANDO OUVI DA REPRESENTANTE, QUE O FOCO DA INSTITUIÇÃO É A TRANSFORMAÇÃO ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO, E QUE PARA TANTO, BUSCAVAM SUBSÍDIOS PARA CONCRETIZAR ESTE EXERCÍCIO – POR ISTO OS LIVROS.
O CENTRO PRETENDE ABRIR UMA BIBLIOTECA QUE PODERÁ POSSIBILITAR A ABERTURA DE NOVOS HORIZONTES PARA ESTES JOVENS.
HOUVE MUITO INTERESSE DOS INTEGRANTES DO GRUPO SOBRE O ASSUNTO, O QUE ESTABELECEU UM DIÁLOGO MUITO BOM.
O FATO É QUE PARA CONSOLIDAR ESTE TRABALHO. O CENTRO SOCIOEDUCATIVO DE JUIZ DE FORA CONTA COM AJUDA SOLIDÁRIA FIRMADA ATRAVÉS DE PARCERIAS QUE POSSAM CONTRIBUIR COM DOAÇÕES DE LIVROS LITERÁRIOS, JOGOS, MATERIAIS DIDÁTICOS, MOBILIÁRIO PARA A BIBLIOTECA E MICRO-COMPUTADORES PARA AS PESQUISAS.
TODOS NÓS OUVIMOS SENSIBILIZADOS AS COLOCAÇÕES DA BRUNA:
E NÓS NOS COMPROMETEMOS A IR VISITAR OS JOVENS NO LOCAL E LEVAR UM POUCO DE LITERATURA, POESIA E MÚSICA.
A CAMPANHA DE DOAÇÃO DE LIVROS CONTINUA E QUEM TIVER LIVROS PARA DOAR PODE ENTRAR EM CONTATO CONOSCO ATRAVÉS DO SITE.
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O SEGUNDO TEMA DO ENCONTRO, A TRAJETÓRIA DE ANGELA NABUCO – NOS PROPORCIONOU MOMENTOS MUITO ESPECIAIS.
ANGELA NABUCO, INTEGRANTE DO GRUPO DESDE SUA PRIMEIRA REUNIÃO EM 2009, É ARTISTA PLÁSTICA, ESCRITORA, MÉDICA, ACADÊMICA DA ACADEMIA JUIZFORANA DE LETRAS, POETA, PERFORMER E UM SER HUMANO MARAVILHOSO.
ABAIXO VEMOS ANGELA NABUCO INCIANDO SUA FALA:
FALANDO DE FORMA MUITO DESCONTRAÍDA E NATURAL SOBRE AS MUDANÇAS QUE TORNARAM A ARTE TÃO SIGNIFICANTE EM SUA VIDA, ANGELA FOI NOS MOSTRANDO UM MUNDO NOVO, SÓ SEU, MAS ACESSÍVEL ATRAVÉS DE SUA ARTE, E DE GRANDE VALOR.
NA PLATÉIA, OLHOS ATENTOS DA FILHA ( A ARTISTA LETÍCIA NABUCO) E DO NETO.
PUDEMOS SENTIR SEU TOTAL ENCANTAMENTO DE EXISTIR E A AGRADECEMOS POR TER PARTILHADO CONOSCO INFORMAÇÕES TÃO PRECIOSAS.
ASSINANDO-SE AGORA COMO THIRAK SARITA, ELA NOS APRESENTOU:
MISSIVA
perdeste-me
porque caminho
para a porta de saída
não mais esperes
de mim que me despeço
sem levar
compromisso
angústia ou crença
da última
(algema doce)
guardo a derradeira reverência
não mais pertenço a tribo ou clã
nem mesmo me possuem
cor ou sexo
cavalgo o imediato
inteira e nua
e salto neste instante de apnéia
thirak sarita
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EXPERIMENTA
pegar todas as tuas lembranças
as mais caras, que te põem no colo
ou envaidecem
as mais tolas ou ridículas
aquelas que te causaram extrema dor
teu nome e sobrenome
e tudo o mais de que és feito
até o dia de hoje
fazer um embrulho caprichado
amarrado com fita de cetim
e em dádiva a qualquer coisa que acredites
jogá-lo ao mar
de preferência em alto mar
no escuro de uma noite
em que a tempestade fizer dele
um gigante furioso
nele respirar o cheiro da morte
e quase náufrago
chorar a dor da grande perda
do que pensavas ser
ou julgavas ter
ao amanhecer, e só então
numa leveza de novidade
serás vivo
e livre
para celebrar quem realmente és
thirak sarita = angela nabuco
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ESPREITA
Recolho-me
ao meu corpo
Indecifrável
arranjo de ossos e de carne
Entro devagar
catando os restos
que ainda sangram
nos entredentes
Em silêncio
Para não despertar
aquela que dorme
dentro de mim
Como se eu fosse outra
Habitasse o meu avesso
e espreitasse
Angela Nabuco
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AS PERGUNTAS FORAM MUITAS. O INTERESSE DOS PARTICIPANTES, MUITO GRANDE.
INFELIZMENTE NÃO PUDEMOS REGISTRAR TUDO, MAS AQUI ESTÃO ALGUMAS FOTOS DESTES MOMENTOS PARA RELEMBRARMOS:
NÃO ESQUECEREMOS ESTA BELÍSISMA CONTRIBUIÇÃO DA NOSSA THIRAK=ANGELA, SEUS OLHOS BRILHANTES E SEU SORRISO ENCANTADOR.
PARA ELA , O CARINHO DO NOSSO ABRAÇO E AS FLORES.

E FOI ASSIM, UM ENCONTRO E TANTO.
Café com Poesia ( e Arte) set/2011
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria
A terceira parte deste encontro, contou com a apresentação de Leila Barbosa e Marisa Timponi intitulada:
BELMIRO BRAGA – O POETA DA BEIRA DO CAMINHO NOVO, em alusão ao percurso poético de Belmiro Braga, poeta juizforano,
primeiro mestre de Murilo Mendes.
Música: Daltony Nóbrega
Veio habitar outro povo,
Na antiga Minas Gerais
E num sonho que ainda expande
Fez nascer à vargem grande,
Cheia de força e ideais.
Um novo sonho se espraia
Da própria vida cuidar – (bis)
E, no ideal que se afaga,
Escolher Belmiro Braga,
Protetor deste lugar
Café com Poesia ( e Arte) – set/2011
Postado por Maria Helena Sleutjes | Em Sem categoria
Depois de Lázara Papandrea foi a vez de Eliana Mora mostrar sua atividade poética.
Os versos leves e enigmátivos de Eliana possuem um brilho especial.
E isto começou desde que era uma menininha louríssima. A mais loura dessa foto é Eliana Mora:
Ao relembrar sua história ela nos diz: ” Muita coisa é deixada para trás no decorrer de nossas vidas; o que acaba tendo muito valor é a memória, e o que nela gravamos de mais importante.”
E falando da infância, diz: ” pai poeta e mãe ‘durona’. [ele me fez de 'gravador'; ela, me botou para decorar poesia]. Ele fazia músicas para todas as pessoas da família e cantores do Rádio.” Então, declamar era algo que Eliana começou a fazer muito bem.
Como cheguei à poesia e ao ouvido ‘afinado’…[LIVRO :”Atenção, Maestro”!]
Abaixo vemos Eliana com Maria Sabina de Albuquerque, Curso Olavo Bilac. [Rio de Janeiro]
A experiência de entrar no meio poético do Rio de Janeiro. de conviver com as recordações de M. Sabina – as ‘Cartas para o Céu”; os saraus e os grandes poetas (QUADROS, LIVROS ETC) ; o método da professora. (UM POEMA bem falado a cada semana]..
Dos 5 aos 17 anos: o palco
o sonho.
Depois, o jornalismo, o rádio a TV, os escritos. A Internet, os grupos do Brasil e de Portugal. A poesia como ponto de referência. As amizades que têm como 'centro' o saber poético.
Já são 12 anos de convivência, exercício, edição e participação em antologias.
Da antolgia Poetrix 2, aqui estão:
SE PUDESSE SER UM LIVRO
Seria um livro de sebo:
muito lido, anotado, tons de sépia.
Letras em rosário - reza pagã.
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FLOR SURREAL
Ó musas de Dali!
en/quadro distorcido
a flor de mim - que perdi.
Mar e jardim (2003) é seu livro de estréia com 152 poemas. O livro em homenagem ao pai. Um de seus poemas:
A entrega, a criação, o amor pela Poesia.
POEMA “Ele nasce de um amor desconhecido”.
Eliana Mora tem seu espaço no enderêço: http://elpoeta.multiply.com
A entrega, a criação, o amor pela Poesia.
POEMA “Ele nasce de um amor desconhecido”.
Eliana Mora tem seu espaço no enderêço: http://elpoeta.multiply.com









































